20/05/2016

sussurros na noite: capítulo 31


Selena olhou no relógio do painel do Jaguar, enquanto pegava o telefone no console, e viu que passava um pouco das quatro horas. Se ignorasse completamente o limite de velocidade, o trajeto até Bell Harbor levaria uma hora, ou até menos. Ela iria demorar muito mais se decidisse alugar um avião, voar até Bell Harbor, e depois encontrar um carro que a levasse para a casa de Demi. De qualquer forma, não chegaria antes do anoitecer. 
Apoiando o telefone no ombro, manteve um olho no trânsito enquanto discava o número que Nicholas rabiscara nas costas do cartão. Suas mãos tremiam, porem ela tinha detalhes mais urgentes com que se preocupar, e isso evitava que ficasse pensando sobre o impensável. 
O telefone cujo número Nicholas lhe dera emitiu um sinal de pager, e logo digitou o número do telefone do carro, desligou, e ficou rezando para que a resposta não demorasse muito. Sentado em seu quarto de motel em Palm Beach, Nicholas ouvia resignado a artilharia verbal que vinha através da linha telefônica, detonada pelo agente especial encarregado da divisão do FBI em Miami. O seu telefone celular estava sobre a mesinha-de-cabeceira, e uma luzinha começou a piscar, indicando que havia uma chamada. Nicholas pegou o aparelho e rapidamente ligou o pager, evitando assim que começasse a tocar... e que irritasse ainda mais o já nervoso homem no outro lado da linha. 
— Você entende o que está acontecendo aqui, Nicholas? Estou sendo bem claro? O Bureall vai gastar uma fortuna em honorários apenas para responder ao primeiro dilúvio de queixas que os advogados de Jonas deram entrada no tribunal ainda hoje. 
— De que estão nos acusando, especificamente?
— Fico tão contente que você tenha perguntado - Brian McCade falou, com um sarcasmo cortante. Nicholas ouviu um farfalhar de papéis, enquanto ele procurava os documentos dos advogados de Jonas. — Vejamos... Este aqui nos acusa de busca e apreensão ilegal, depois há outra acusação de abuso de autoridade... - Nicholas ficou ouvindo em silêncio a longa litania de acusações legais. — Espere, estava me esquecendo desta - McCade acrescentou, irônico. — É uma queixa por ”incompetência maliciosa”.
— Nunca ouvi falar nisso. Desde quando incompetência é uma violação da lei?
— Desde que os advogados de Jonas decidiram que deveria ser! - McCade respondeu, furioso. — Os advogados dele provavelmente estão reescrevendo as leis com todas estas queixas. Posso até ver o caso chegando à suprema corte para entrar em pauta.
— Não há nada que eu possa dizer, Brian. 
— Há, sim. Numa destas queixas, Jonas está exigindo uma declaração pública e formal de retratação, porque você não encontrou nada de ilegal em nenhuma das embarcações. Ele quer ouvi-lo pedindo desculpas. 
— Pois diga a ele que vá para o inferno. 
— Nossos advogados estão elaborando o equivalente legal desta sua resposta. No entanto, não acho que seja adequado, a não ser que você ainda acredite realmente que ele tenha retirado dos iates as armas que você estava procurando, sem que você soubesse. 
Nicholas exalou um longo suspiro. 
—  Isso teria sido impossível. Jonas voltou ao país de avião, depois do último encontro que teve na América do Sul a bordo do Apparition. Nós mantivemos o iate sob constante vigilância durante o transcorrer da viagem de volta para cá, e também em cada hora de todos os dias em que ficou atracado em Palm Beach. 
— Então, o que você está me dizendo é que não houve nenhum contrabando trazido da América do Sul, pois do contrário vocês teriam encontrado. 
Nicholas fez que sim e, em voz alta, respondeu: 
— Exato. 
— E também não havia nada a bordo do Star Gazer?
— Nada. 
— Então, basicamente, Jonas é inocente.
Nicholas pensou em todas as vidas que ele havia destruído enquanto ia atrás daquela pista errada, e sentiu-se ainda pior do que poderia demonstrar a McCade. 
— Sim, em resumo, é isso mesmo. Apesar de que, legalmente, podemos nos ater à metralhadora que foi encontrada. Isto constitui uma arma automática que, por sua vez, é ilegal.
— Agradeço muito esta observação esclarecedora. Agora, o que fazemos com o fato de que a maldita metralhadora é praticamente uma antiguidade, e que foi confiscada de um contrabandista? 
Nicholas tornou a suspirar e pensou em Demi, em como ela correra em defesa de Jonas porque seu próprio julgamento era muito mais confiável do que o dele. 
— Você acha que valeria a pena eu tentar fazer uma visita a Jonas e, talvez, aplacar suas suscetibilidades? 
— Ele não quer ser aplacado, Nicholas. Ele quer ver sangue... e o seu, de preferência. 
— De qualquer forma, preciso conversar com ele para esclarecer uma outra questão - disse Nicholas, pensando que, no mínimo, teria de tentar convencer Jonas de que Demi não sabia que ele era alvo de investigação do FBI. 
— Nem chegue perto de Jonas - McCade avisou, ficando irritado outra vez. — Se fizer isso, poderá prejudicar a nossa defesa. Ouviu bem, Nicholas? Isso é uma ordem, não uma sugestão. 
— Eu ouvi. 
Logo que desligou, Nicholas recebeu mais duas ligações de seus homens em Palm Beach. Forneceu instruções detalhadas a cada um deles, encheu um copo de água e levou-o para perto da casa. Depois, foi arrumar a mala. 
Selena ficou cinquenta minutos aguardando a ligação de Nicholas, até que finalmente aceitou o fato de que precisava formular um plano e contar apenas consigo mesma. Suas mãos transpiravam no volante, o velocímetro marcava 120 quilômetros por hora e ela quase esperava ser parada a qualquer momento pela Polícia rodoviária por excesso de velocidade. Precisava ficar calma e pensar. Com a mão direita, abriu a bolsa e vasculhou até encontrar uma caneta e um pedaço de papel. Então, pegou o telefone e discou para a central de informações de Bell Harbor. 
A telefonista informou-a de que o número do telefone da casa de Demi não constava da lista. — E sob o nome de Dianna Lovato? - Selena perguntou. A telefonista forneceu-lhe o número do telefone e o endereço, e Selena anotou no papel.
— Gostaria de saber também o número do Departamento de Polícia de Bell Harbor. 
Selena anotou-o e foi para lá que ligou primeiro. Pediu para falar com a detetive Demi Lovato e a telefonista da delegacia passou a ligação. A tensão de Selena crescia a cada segundo, enquanto esperava para ouvir a voz de Demi. 
Mas foi um homem quem atendeu, e identificou-se como sendo o tenente Caruso. 
— Preciso falar com Demi Lovato - disse Selena.
— Sinto muito, senhora, mas ela deixou o serviço às três da tarde. 
— Preciso entrar em contato com ela imediatamente. Sou irmã dela, e trata-se de um assunto urgente. O senhor poderia me dar o número do telefone da casa dela?
— A senhora é irmã dela, e não sabe? 
— Não o tenho aqui comigo
— Desculpe, mas não posso informar. 
— Escute aqui - Selena falou, num tom irritado e impaciente. — Isso é uma emergência. A vida dela corre perigo. Alguém vai tentar matá-la esta noite! 
O homem no outro lado da linha evidentemente concluiu que ela era alguma maluca. 
— Este ”alguém” por acaso seria a senhora mesmo?
— É claro que não! - Selena explodiu. Percebendo que nem a histeria, nem uma explosão de raiva adiantariam com aquele idiota, tentou uma tática diferente. — Sou irmã dela. O senhor conhece Demi Lovato pessoalmente? 
— Evidente que sim. 
— Então, deve saber que ela esteve em Palm Beach até poucos dias atrás, visitando a família.
— Sim, e a bisavó dela foi assassinada, e a detetive Lovato foi presa e depois liberada. Já recebemos dois outros telefonemas de pessoas que queriam confessar o crime. 
Selena decidiu que ele era mesmo um imbecil.
— Quem é o encarregado do departamento? 
— É o capitão Ingersoll, mas ele está de folga hoje.
— Então, quem é o segundo encarregado? 
— Sou eu mesmo. 
Selena desligou na cara dele. 
Assim que fechou a mala, Nicholas pegou automaticamente a chave do carro e o telefone celular. A luzinha piscante indicava uma ligação que não fora atendida, e ele lembrou-se de que isso acontecera enquanto estava falando com McCade. Depois disso, ainda tivera duas longas ligações. Verificou o pager e não reconheceu o número que lhe fora deixado.
A mão de Selena tremia incontrolavelmente quando pegou o papel no assento do carro e leu o número do telefone de Dianna. Estendeu a mão para pegar o aparelho no instante exato em que este começou a tocar e, mais que depressa, levou-o ao ouvido.
— Aqui é Nicholas Parker - disse a voz conhecida. — O número deste telefone apareceu no meu pager e... - Aquelas eram as palavras mais lindas que Selena já ouvira na vida. Estava tão aliviada que teve de lutar contra as lágrimas. 
— Nicholas, aqui é Selena. Estou no meu carro, a caminho de Bell Harbor. Você precisa acreditar em mim, porque a polícia de Bell Harbor acha que sou uma maluca e não quer tomar nenhuma providência. E, se você não me ajudar, eu...
— Acredito em você, Selena - Nicholas interrompeu, com uma voz surpreendentemente gentil e confortadora. — E vou ajudá-la. Agora, diga-me o que está acontecendo.
— Eles vão matar Demi esta noite! Vão obrigá-la a escrever um bilhete de suicídio e confessar que matou minha bisavó e, depois, vão atirar nela! 
Selena quase esperava que Nicholas descartasse tudo aquilo como sendo bobagem, ou que a fizesse explicar a história em detalhes enquanto os minutos restantes da vida de Demi se escoavam. Mas, ao contrário, ele limitou-se a dizer:
— Tudo bem. Mas diga-me quem são ”eles”, para que eu possa pensar na melhor maneira de detê-los.
— Eu não sei quem são. Apenas ouvi uma conversa sobre como tudo irá acontecer esta noite.
— Ok, então me conte quem você ouviu conversando.
O momento da traição havia chegado. Seu pai a amara e cuidara dela durante toda sua vida... Mas seu pai estava perfeitamente disposto a ver Demi morrer naquela noite apenas para proteger seus ”negócios”... E seu pai não ficara exatamente histérico ao descobrir que a própria avó fora eliminada pelo mesmo motivo. Selena a amava tanto. Amava o pai, também. E amava Demi. 
— Selena? Preciso saber quem está envolvido, do contrário não poderei agir com rapidez!
Ela engoliu em seco e passou a mão pelo rosto molhado. 
— Meu pai - respondeu. —  Meu pai e Gary Dishler. Ouvi os dois conversando sobre isso. Dishler trabalha para pessoas a quem se referiu como ”sócios” do meu pai, e estes ”sócios” lhe deram ordens de matar minha bisavó, e foi o que ele fez - As lágrimas caíam de seus olhos em torrentes, embaçando os carros e a estrada à sua frente. — Eles também lhe disseram o que fazer com Demi, mas ele não vai agir por conta própria. Acho que contrataram alguém. 
— Isso é tudo o que eu precisava saber. Ligo para você depois. 
Selena desligou o telefone. Nicholas iria ajudá-la a salvar Demi. E também iria prender seu pai. 
Imaginou seu belo e orgulhoso pai sendo levado de casa algemado. Pensou nos julgamentos que iria enfrentar, nas acusações, nas reportagens dos jornais exibindo suas fotos. As lágrimas chegavam mais rápidas e contínuas. 
— Desculpe - disse, em voz alta. — Desculpe, desculpe, desculpe... 

O que acham que vai acontecer agora? 

O que acharam? 
Comentem, bjs amores <3

2 comentários:

  1. Jesus... estou infartando aqui... como vc para agoraaa pelo amor de Deus.... será que a Selena vai chegar a tempooo... ela esta em alta velocidade, não vai acontecer nada com ela né? E o Joe? Eles vão pedir ajuda dele? Continuaaa....

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    Respostas
    1. Bom vai acontecer uma coisa com ela mas não vai ser um acidente de carro
      Já postei lindona, bjs <3

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