22 de ago de 2017

for you: capítulo 32


Somente minha

Os nossos dias tem sido no mínimo, intensos. Demi é pessoa mais surpreendente que eu conheço.
E nos últimos dias tem me enlouquecido. E eu, tenho sido paciente. Todos os preparativos para o casamento estão a deixando... Eu não posso dizer a palavra, nem mesmo em pensamento e acredite, ela consegue captá-lo. Toda essa, digamos, agitação, tem feito de nós dois a chacota da vez para os nossos amigos. Isso, porque minha noiva tem propensões a agir como aquela palavra, inominável.
Pelo menos, por enquanto. Eu insisti que deveríamos ter ido à Las Vegas. Mas ela não quis.
Embora algumas vezes eu tenha vontade de matá-la, outras eu desejo pegá-la no colo, se ela
deixasse. São muitos sentimentos contraditórios. Pensei conhecer cada nuance da mulher que escolhi para minha vida, estava errado. Se bem que, não foi exatamente uma escolha. Ela havia se infiltrado em minha vida de modo que não houve escapatória.
A cada dia, descubro coisas que me encantam. Como o quanto ela se esforçava para aprender a cozinhar para mim, embora todas as tentativas tenham sido um fracasso. A sopa ficava salgada, o arroz empapado... Bem, o macarrão instantâneo era bom. Eu tenho comido muito isso nas últimas duas semanas. Só que não podemos viver de macarrão e gelatina, suas especialidades. Eu havia gentilmente sugerido a contratação de uma cozinheira. No entanto, Demi havia declarado guerra a cozinha e exatamente ninguém consegue movê-la dessa ideia.
— Você não precisa fazer isso, amor — disse a ela essa manhã, após quase ter me engasgado com o café adocicado.
— Eu não vou ser uma péssima esposa ou mãe — murmurou, frustrada, antes de me dar as costas e jogar o conteúdo do bule na pia, na tentativa de esconder os olhos marejados.
— Jamais será — abracei-a por trás, beijando-a na nuca — Já é perfeita. É apenas uma cozinheira deplorável.
— Sai daqui! — corri da cozinha aos gritos e paneladas, mas com um sorriso de orelha a orelha.
Prefiro vê-la irritada, enlouquecida, mas nunca infeliz. Eu havia jurado fazer todos os seus dias felizes, sempre.

***

Encontro Peter parado em frente à janela de seu escritório. Não me passou despercebido a
pequena mala de viagem ao lado de sua mesa. O homem mal havia voltado de viagem e já partiria para outra. Esse foi um dos motivos pelo qual não poderá ser um dos padrinhos do meu casamento.
Todavia, sua ausência no dia, não seria aceitável para mim.
— Espero que tenha um bom motivo para me trazer até aqui — murmuro ao entrar no escritório — Demi não anda muito tolerante com atrasos. Nos últimos dias, não vem tendo paciência com nada. Ainda bem que isso está acabando.
— Ainda dá tempo de desistir — ele graceja — As estatísticas dizem que as coisas só pioram
com o tempo.
— Está maluco? — sorrio — Nunca me divertir tanto em minha vida. Não quero voltar para
aquela vida chata de antes, nem em pensamento.
Peter balança a cabeça em sinal de derrota
— Eu tentei.
— O que era tão urgente? — já estou atrasado para o ensaio de casamento e para piorar, meu
celular havia descarregado. Demi deve estar bufando nesse momento — Eu não tenho muito tempo.
Ele vai até sua mesa, tira um envelope de dentro de uma das gavetas, jogando-o na mesa em
direção a mim.
— Eu a encontrei — diz ele, enquanto observo as fotos e relatórios que tirei do envelope que ele havia me dado — Sara Rossi, mora em Toscana, na Itália, com o marido e filha. Casou novamente há doze anos e o marido é dono de umas das vinícolas mais importantes da região.
Todas essas informações me surpreenderam um pouco. Imaginei que a mãe de Demi estivesse perdida em algum lugar remoto. Até mesmo que passasse por algumas dificuldades na vida. Pelas fotos que tenho em mãos e tudo que Peter me diz, nada passaria mais longe que isso. A mulher vivia muito bem e parece ter uma família feliz. Demi, havia passado anos sonhando com esse reencontro, pelo que me disse. E a mãe dela, simplesmente reconstruiu a vida sem ao menos olhar para trás. Já não sei se eu havia tomado uma decisão correta. Eu quis fazê-la feliz, mas poderia causar mais mágoa.
— Demorei um pouco para encontrá-la. Sara mudou de nome e mora fora do país há muitos anos. Andei procurando nos lugares errados. Parecia um pouco vacilante em querer falar comigo, por isso estou indo até a Itália — diz ele, determinado — A trarei de volta, nem que seja a última coisa que faça.
— Não sei se ainda é uma boa ideia — digo a ele — Ela não parece ter se importado muito.
— Acho que é tarde demais para isso, Joseph — diz ele — Eu já fiz contato com ela. Sara pode querer procurar a filha a qualquer momento. Além disso, Demi deve dizer se quer rever a mãe ou não. A decisão é dela.
Eu sei que ele tem razão. Mas amar alguém é querer proteger, não é? Não sei o quanto disso tudo ela irá conseguir suportar. No entanto, essa é uma decisão que só cabe a ela. E eu quero estar preparado para apoiá-la.
— Mantenha-me informado de tudo o que acontecer — digo, após soltar uma imprecação —
Estará aqui para o casamento?
Será dentro de duas semanas e não quero mais nenhum desfalque, já basta minha família
intransigente. E ter a ausência de Peter, embora eles vivam se provocando, deixaria Demi triste.
— Eu não perco por nada — ele sorri — Além disso, temos uma despedida de solteiro pelo
caminho.
Ah, a despedida de solteiro, havia me esquecido disso. Pensei que eles houvessem desistido.
— Contenha-se, Peter — retruco, incapaz de esconder a irritação — Ainda quero ter uma lua de mel.
— Acalme-se, cordeirinho — diz ele, antes de pegar a mala e seguirmos em direção a porta —
Será memorável, isso eu garanto.
Isso é ótimo. Demi está lidando com isso muito bem, aliás, bem melhor do que imaginei
comparando com seu estado emocional das últimas semanas. E ainda não descobri o que ela está aprontando. Porque ela está armando alguma coisa. Sinto o cheiro de confusão ao longe.

***

— Desculpem — murmuro, com um olhar culpado — Houve uma emergência de última hora no escritório. O que aconteceu?
Ajoelho-me em frente à Demi, que parece inconsolável em um dos bancos da igreja. Fico
transtornado ao vê-la aos prantos.
— Demi o que houve? — pergunto e olho para Jenny em busca de respostas — Jenny?
— Estresse pré-casamento — responde ela, balançando os ombros — Chilique de noiva ou Demi sendo Demi. E eu que pensei que nós grávidas fossemos emocionais.
— Joseph! — Demi levanta-se colocando as mãos na cintura — Se não quer se casar comigo
fale agora. Se me abandonar naquele altar eu caço você até o inferno.
— Demi! — Jenny olha para ela abismada — Acho que inferno e igreja não combinam.
— Do que está falando? — pergunto, completamente perdido. De onde veio isso agora?
— Se eu fosse você, desistia desse casamento — Neil se aproxima de Jenny e abraça-a, com um sorriso idiota no rosto — Essa mulher é maluca. Fuja enquanto é tempo.
— Cala a boca Neil! Ou eu esqueço que estou em uma igreja — Demi grita para ele antes que eu possa dar uma boa resposta.
Já estou cansado de todos se referirem a ela como maluca. Tudo bem que ela seja intempestiva algumas vezes, mas sou louco por ela do jeito que é, sem mudar nada.
— Ninguém vai desistir de nada aqui — Vivian, a organizadora, aproxima-se de nós — Não é
verdade Sr. Jonas?
Balanço a cabeça e puxo Demi para perto de mim. Ela ainda parece zangada, então foi preciso muitos beijos e pedidos de desculpas para acalmá-la e garantir que eu não dormiria no sofá da sala essa noite, uma ideia que não me agrada, mesmo com ela sempre vindo juntar-se a mim durante a madruga como sempre fazia quando brigávamos, alegando sofrer de sonambulismo. Eu não acredito, claro, mas é mais fácil embarcar nas doideiras dela do que ir contra.

***

— Por que você não vem comigo? — digo a ela, enquanto me empurra pelo apartamento.
— Porque essa é uma festa para homens — Demi sorri, empurrando-me em direção à porta. Está fodidamente sexy em um vestido preto e justo demais para o meu gosto — Eu e minhas amigas vamos ocupar muito bem o nosso tempo, enquanto você se diverte. Anime-se! A noite é uma criança e você poderá se surpreender.
Quando uma mulher diz que você pode ser surpreendido, coisas boas não irão acontecer.
Quando Demi diz que eu poderei me surpreender eu devo me preocupar, e muito.
— Não vai para uma daquelas casas que os homens ficam tirando a roupa, não é? — a ideia me vem à cabeça, deixando-me nervoso.
— Por que eu não pensei sobre isso? Essa é uma ótima ideia — eu paro em frente a porta aberta, encarando-a com olhar ameaçador.
— Demi!
— Está atrasado, Joseph — diz ela, com olhar travesso — Divirta-se!
Ela fecha a porta no meu rosto e eu fico como um idiota, parado no corredor. Milhares de coisas povoando minha cabeça. Que tipo de noiva insiste para que o noivo vá a uma despedida de solteiro organizada pelos amigos mais pervertidos do mundo? Demi.
Vou para a garagem e verifico a moto antes de colocar o capacete. Poderia ir de carro, mas
preciso da sensação de liberdade que a Harley me traz. Além de que, ela sempre me acalma.
Paige não teria coragem de ir até um clube para mulheres, teria? Desvio de um carro na
contramão, quando o mero pensamento deixou-me cego por alguns segundos. Paro no acostamento e respiro fundo. Aposto que no dia seguinte ela me atormentará com fotos de sua noite quente. Eu não vou permitir isso.
A primeira coisa que faço ao entrar no clube é procurar por Peter.
— Você tem como rastrear o celular de qualquer pessoa, não é? — pergunto assim que encontro-o no bar.
— Dá trabalho, mas sim — ele dá um gole em sua cerveja — Ah, não me diga que...
— Faça isso ou irei embora imediatamente! — exclamo, determinado — Eu juro que se aquela mulher estiver enfiando dinheiro na cueca de algum idiota bombado, eu sou capaz de matá-la.
— Sossega aí grandão — Adam me arrasta até uma das mesas — Deixe a mulher se divertir um pouco. Não faremos alguma coisa?
— Não! — fito-o com olhar fulminante — Vai fazer o que estou pedindo?
Olho para Peter com raiva. Ele me colocou nisso, agora arranjaria uma forma de consertar as coisas. Jamais imaginei que me transformaria em um homem ciumento e possessivo, mas eu sou. E  quando imagino o que ela pode fazer essa noite, entro em processo de ebulição.
— Malditos homens apaixonados — Peter bufa, aborrecido ao bater a garrafa na mesa — Sempre estragando a festa.
Volto a me acomodar na cadeira. A casa vai ficando cheia pouco ao pouco.
— O rei da festa chegou — Liam aparece e senta-se ao meu lado — Cadê o Neil? Pensei que ele estaria aqui.
— Está paparicando a mulher grávida — Adam diz com cara de nojo.
— Eu acho que ele teve medo de ficar enjoadinho perto da gente — Liam provoca.
Sorrio pela primeira vez, desde que cheguei. Há pouco tempo, descobrimos que Neil sofre de
Couvade ou síndrome do homem grávido. Graças a isso todos os motivos de piadas e gozações haviam sido transferidos para ele e Jenny. Eu tenho amigos fiéis, mas eles sabem ser insuportáveis quando querem. Chego a ter pena do casal.
— E todas essas pessoas? — indico alguns homens no bar e vários em outras mesas.
— Peter tem muitos, amigos — Adam sacode os ombros — Outros são funcionários dele. Você sabe, quando ele dá uma festa...
— Ele dá uma festa — Liam completa.
Algumas mulheres começam a surgir. Elas são bonitas, eu não sou cego. Contudo por incrível que pareça, não me sinto atraído por nenhuma delas. A única coisa que mexe comigo nessa noite é o pensamento de onde Demi está e o que está fazendo.

***

— Cadê o Peter — faço uma varredura com o olhar em busca dele. Faz uma hora que ele haviasaído em busca da informação que eu havia exigido.
— Tome essa cerveja — Adam lança a garrafa em minha direção — Deixa de ser mulherzinha e aproveita a noite. Parece uma velha reclamando.
— Estou dirigindo — devolvo a garrafa.
— Por que não veio de taxi? — Liam diz, impaciente — Ou pediu que um de nós fossemos buscálo?
— Não tenho a intenção de ficar enchendo a cara com vocês e perder muito do meu tempo, quando tenho coisas mais interessantes para fazer em casa.
— Ah é? —diz ele, incrédulo — O que por exemplo?
— Transar a noite inteira — sorrio — Até que fique exausto até mesmo para respirar.
— Eu não tenho como contestar isso — Adam ri, levanta a garrafa, fazendo um brinde.
Meia hora depois, Peter retorna unindo-se ao nosso grupo à mesa.
— Você conseguiu o que eu pedi? — pergunto, ansioso.
— Mais ou menos, vou ter a resposta em alguns minutos — ele suspira — Eu não faço mágica, agora relaxa, a festa vai começar. Temos uma surpresa para você.
— Isso parece ser ótimo — digo, irônico.
— Não saia daqui por nada — ele esfrega o queixo, há um sorriso diabólico em seu rosto — A
festa vai começar.
Peter vai em direção ao outro lado do salão e some em um corredor. Eu não tenho a mínima ideia do que ele tem em mente. As luzes do palco são apagadas. Todos os olhares votaram em direção ao palco. Há uma cadeira no centro dele, iluminada por uma luz amarela que dança pelo palco e vai em direção as escadas.
Alguns gritam e outros assoviam e me pergunto se eles têm ideia do quanto estão sendo ridículos. Uma jovem de robe preto e máscara surge no topo da escada, deixando os presentes ainda mais afoitos. Ela parece analisar o local, como se estivesse à procura de alguém. Eu? Claro, idiota, você é o noivo. Vejo um enorme sorriso em seu rosto ao me encontrar, apesar da máscara. Inferno! Espero que ela não tenha nenhuma ideia que me coloque em encrencas. Eu vou matar o Peter.
— Isso aí, gostosa! — um deles grita atrás de mim — Vem com o papai aqui.
O palco volta a ficar escuro. A voz da Beyoncé soa no ambiente e os homens em volta de nós
começam a ficar empolgados. Ela já está sentada na cadeira quando a luz fraca volta a iluminar o local. A jovem começa uma dança sensual, de costas para nós. Caralho! Eu me sinto atraído.
Pense na Demi, Joseph, ordeno para meu corpo traidor.
Ela senta de frente a plateia que no momento a ovaciona. Passa as mãos pelas coxas levantando o robe, mostrando as pernas, enquanto faz uma leve carícia pelo corpo.
— Isso aí delícia! — um homem, evidentemente mais alterado, caminha em direção ao palco.
Os olhos dela estão focados em mim. Castanhos. Eu consegui notar quando a luz focou em seu rosto por alguns segundos. Familiares. A dançarina levanta e dança em volta da cadeira. Eu remexo na minha. Cacete, eu estou ficando excitado. Lentamente ela começa a desfazer o laço do robe.
Vejo seu corpo perfeito, emoldurado por um corpete vermelho e cinta liga. Olho desde os pés
delicados em um magnífico salto alto, passo pela panturrilha, joelhos e coxas. Meu coração dispara no peito quando a certeza me atinge como um Tsunami. Eu conheço esse corpo. Essa forma de dançar e esse olhar. Puta que pariu! Eu conheço esse corpo. Como eu não havia notado antes?
— Com certeza eu vou levar essa garota para casa — diz Adam, animado. Isso me irrita.
A música está no auge quando ela começa a tirar a cinta liga de forma sensual
— O caralho que você vai! — urro, enfurecido, lançando a garrafa na mesa, quando minha
vontade é quebrar na cabeça dele.
— Ei, tá maluco? — ele pula, assustado.
Ignoro-o e volto a olhar para o palco. Vejo tudo vermelho e não é só pelo o corpete que ela está usando. Então era isso que ela esteve planejando o tempo todo? Uma forma de me fazer cometer um assassinato se ela se atrever a tirar mais uma peça de roupa, ou se outro engraçadinho falar mais alguma coisa.
— Joseph! — Peter me encara com olhar chocado, a resposta dele havia chegado um pouco
atrasada — Você não vai gostar...
— Foda-se Peter! — empurro-o indo em direção ao palco — Incompetente!
A segunda peça da liga está nas mãos do homem que havia parado na borda. Quando ele leva o tecido até o rosto cheirando-o eu dou adeus ao meu alto controle. Agindo sem pensar, desfiro um golpe certeiro no homem que nem teve tempo de saber quem o atingia. A névoa da ira infiltrando-se pelo meu corpo.
— Demi! — apoio minhas mãos no chão de madeira, meus olhos chispando fogo — Desce daí
agora!
A música é interrompida. As luzes ascendem e as pessoas em volta, ficam mudas.
— Joseph! — ela tira a máscara e me encara, desafiando-me — Não estrague a festa.
Estragar a festa? Inalo profundamente antes de pular no palco em direção a ela. Ouço vaias às minhas costas. Que se fodam todos. Ela é minha mulher e vou mostrar o que é estragar uma festa.
Profiro uma imprecação e ignoro o olhar espantado que ela direciona a mim. Eu estou
encolerizado, completamente dominado pela fúria. Acredito que esses sejam termos relativamente suaves para descrever o turbilhão de sentimentos que me desnorteiam. Vou matar essa maldita provocadora e sua orla de adoradores.
A ideia de que ela pudesse estar em volta de homens seminus, foi terrivelmente perturbadora duas horas atrás. Vê-la nessa lingerie sexy, dançando de forma sedutora, provocativa, enquanto todos esses homens babam em volta dela como um cão dinamarquês, é absurdamente pior do que a imagem de Demi, colocando alguns dólares na cueca de algum bombado ridículo em um clube de quinta.
— O que pensa que está fazendo? — vocifero ao subir no palco.  — Ficando nua na frente de meus amigos e desses babacas!
Ela parece surpresa, até mesmo um pouco intimidada. São poucas ás vezes em que eu me
descontrolo e ela sabe que quando isso acontece as coisas não acabam nada bem.
— Eu... eu... — ela gagueja — Não estou nua — murmura e relanceia um olhar ao redor. Ouço
algumas vaias às minhas costas, o que só aumenta minha irritação — Pensei que gostasse de
aventuras.
Ela desfere o golpe de misericórdia.
— Não vai querer saber o que gostaria nesse momento — minha vontade é sentá-la naquela
cadeira e lhe dar umas boas palmadas, no mínimo — Vamos embora, Demi!
Seguro-a pelo pulso e tento arrastá-la para as escadas. Os uivos e protestos são mais
ensurdecedores agora.
— O que? — ela puxa o braço e me encara com olhar zangado — No meio da festa? Já que
estamos aqui vamos aproveitar.
— Demi! — respiro fundo, fecho os olhos e tento me lembrar de como se conta, não chego nem até o número cinco — Ah, foda-se!
Jogo-a em meus ombros, como um neandertal, ignorando seus gritos, tapas e protestos.
— É melhor você deixar a garota em paz — um grandalhão ruivo interpõe-se em nosso caminho, assim que desço o último lance de escada. Pelo tom de voz, já havia bebido demais — Estávamos nos divertindo.
— Acho melhor você cuidar desse olho roxo — solto-a por um instante, colocando-a ás minhas costas — Imbecil!
— Que olho roxo? — resmunga.
— Esse! — desferindo um golpe no olho esquerdo.
Minha mão fica dormente e temo ter quebrado um dos dedos ao acertá-lo no rosto. Movimentos os dedos e apesar de doloridos eles parecem intactos. O grandão, agora muito, muito irritado avança em minha direção. É surpreendente que quando estamos dominados pela raiva, somos capazes de qualquer coisa. Não há um inimigo temível, por maior que ele seja. E se você não é capaz de lidar com a mão, não há nada que uma boa garrafa de cerveja não resolva. O vidro estilhaça ao chocar contra o crânio duro. O gigante desequilibra-se, caindo ao lado do palco. Nem tudo é uma questão de força. Como todos os valentões ele é burro e babaca.
— Joseph! — Demi quica atrás de mim, tentando passar por debaixo de meus braços.
Um dos homens que acompanhava o gigante, corre em seu socorro, enquanto outros dois caminham até mim, com olhar ameaçador.
— Fica quieta! — volto a jogá-la sobre meus ombros. Enquanto ela se mexe contra minhas costas
— Tudo isso é culpa sua.
— Acho melhor vocês darem o fora — Adam surge de algum lugar, posicionando-se ao meu lado, enquanto arregaça as mangas — Isso vai virar uma bagunça.
Passo por Liam que me encara abismado e por Peter, que literalmente está de boca aberta. As pessoas abrem caminho, ninguém mais atreve-se a bancar o corajoso comigo. Se eu tiver que brigar com todos para tirá-la daqui e de seus olhares cobiçadores, faria isso de bom grado.
— Adam! — o grito de Penélope sobressai-se apesar da gritaria no salão, que no momento já está um verdadeiro caos.
Não imagino o que ela faz aqui, mas aposto toda minha conta bancária que isso é obra da minha noiva. Mas eu não tenho tempo para isso agora. Haverá momento para explicações mais tarde.
Antes que eu alcance a saída, imagens da primeira vez que a vi me veem a cabeça. Novamente vejo-me envolvido em uma briga por causa dela. Quantas mais eu teria no decorrer de nossas vidas? Passo pelo segurança e lanço lhe um olhar duro. Ele atrapalha-se em abrir a porta. Não sei se é a roupa que ela usa ou a forma que a carrego para fora que o deixou desconcertado, prefiro acreditar que seja a confusão instalada no local.
Chuto a porta dupla, impaciente com a incapacidade dele em fazer algo tão simples. Sigo direto para o estacionamento onde está a minha moto.
— Sobe! — ordeno, indicando a garupa.
— Não! — Demi cruza os braços e bate os pés de forma infantil — Eu não vou andar nesse
monstro, vestida assim.
— Porra! — urro, com uma ferocidade indiscutível.
Caralho, ela está gostosa demais nesse corpete vermelho sangue e cinta liga. É claro que eu não posso desfilar pela cidade com ela vestida desse jeito, mas não há a menor possibilidade de que ela volte lá para dentro. Eu retomaria uma briga que terminaria na delegacia, comigo preso, talvez até o dia do casamento, o que a deixaria muito furiosa comigo.
Tiro minha camisa e entrego a ela.
— Pronto! — o ar gelado toca minha pele, mas a adrenalina que corre solta por minhas veias,
impedem-me de sentir frio. Poderia estar nevando, que seria indiferente para mim — Vista isso, e suba nessa maldita moto, Demi.
Ela olha para meu peito nu por um longo tempo, enquanto tenta manter-se firme em seu salto alto, movendo as pernas de um lado a outro, de forma quase imperceptível. Não é hora para isso, mas noto o desejo queimando em seus olhos, acendendo o meu.
Diabólica! Demi, transformou toda a raiva que sentia em relação a essa travessura impensada, em pura luxúria, em poucos minutos. Não é à toa que chamo-a de feiticeira.
— Apreciando a vista? — seguro sua mão trêmula e deslizo em meu peito em chamas. A palma suave e fria, é como um bálsamo em minha pele quente.
— Vai...vai — volta a gaguejar. Dessa vez não por receio do que eu possa fazer, mas em
antecipação do que eu quero fazer com ela — Você vai sair assim?
Corro sua mão pelo meu pelo meu peito e levo seus dedos até minha boca, chupando-os, um por um. Meus olhos cravados nela. A intensidade que ela recebe esse pequeno toque, causa uma grande erupção em mim. E um sorriso maroto brilha em seu rosto. No final das contas, fazemos uma boa dupla. Ela é maluca e eu tolo o bastante para embarcar em seu trem desgovernado de insensatez. Visto-a com minha camisa, é longa o suficiente para cobrir parte das coxas, não é o que gostaria, mas para o momento é o suficiente. Coloco-a na moto, depois de ajeitar o capacete em sua cabeça, sento-me em frente a ela. Após prender os braços dela em torno de meu peito e o ronronar do motor, saio em disparada.
Assim que alcançamos a rodovia, o ar gélido corta minha pele. A ideia pareceu-me viável, mas andar sem camisa em plena madrugada, foi a coisa mais estúpida que eu poderia fazer. Pegar uma pneumonia é o mínimo que poderia acontecer comigo.
Droga! — vejo um carro de polícia mais à frente e sou obrigado a mudar de rota. Para minha sorte, estavam concentrados em um grupo de adolescentes. Paro em uma rua sem saída. É uma área comercial, então, só temos portas de lojas e latões de lixo em nossa volta.
Desço da moto, flexionando os músculos das costas, caminho até uma porta de metal de uma loja e apoio minha testa contra ela. Céus, essa mulher quer me levar as vias da loucura. Ainda farei algo tresloucado com consequências irreversíveis.
— Está tremen...do — diz ela, os dentes batendo um contra o outro. Suas mãos pousam em minhas costas, apesar de frias, aquecem o lugar onde tocam, como se marcassem-me feito brasa.
— Você não está muito diferente — viro-me de frente a ela e puxo-a para os meus braços —
Temos que dar um jeito nisso.
Não podemos voltar enquanto a polícia estiver no caminho, seríamos presos. Chega de brincar de James Bond por essa noite. No entanto, eu preciso nos manter aquecidos. E há uma grande quantidade de pólvora aqui.
— Sabe o que faz comigo? — pergunto, ao pressionar o seu corpo contra o meu — Eu desejei
você, sem saber que era você, e isso me deu uma tremenda dor na consciência. Me senti um cretino, filho da puta.
— Joseph...
— Fica quieta! — giro-a e impresso contra a porta de alumínio, de costas para mim. Esfrego nariz no pescoço delgado e o perfume adocicado em sua pele deixa-me desnorteado por alguns segundos — Eu sou generoso quando preciso, mas há certas coisas que eu não divido. Quantas vezes eu tenho que afirmar isso?
Mordisco o pescoço dela e dou uma lambida onde meus dentes deixaram um toque avermelhado.
— Se vai ficar nua é para mim — deslizo a mão por suas costas, parando nas bochechas
arredondadas de sua bunda, ajoelho-me, levanto a camisa e esfrego meu rosto contra ela — Se vai dançar é somente para mim, mais ninguém, entendeu?
— Sim — Demi sussurra.
Estamos no meio da rua, apesar de deserta, alguém poderia passar e nos ver. Eu não ligo. Há
desejo demais correndo aqui. Uma fome tão desenfreada que nos impede de agir com cautela.
Alguém mais pervertido poderia até mesmo filmar através de um celular. Foda-se!
Acaricio suas coxas, a curvatura dos joelhos e deslizo minha língua pela linha entre a pele e a cinta liga.
— Joseph — ela geme, as mãos espalmadas na porta de metal.
— Pensei que gostasse de aventuras — provoco, com a voz carregada de desejo. A intensidade  que ela recebe cada pequeno toque meu, causa uma grande erupção em mim. Amo-a, desejo e sou louco por ela, com todas as implicações envolvidas — Viu? Agora já está quente.
Ergo-me e sobreponho meu corpo ao dela, encobrindo-a de qualquer olhar indesejado. Abraço-a por trás e acaricio um dos seios com uma mão, enquanto escorrego outra pelo seu ventre, mergulhando dentro de sua calcinha, em busca do meu alvo.
Demi geme e arranha a porta de metal com as unhas. Eu toco sua vagina e ela já está molhada, pronta para mim. Meus instintos me dizem para rasgar a peça íntima como já havia feito tantas vezes.
— Não ouse — ela geme, parece ter lido minha mente — Recuso-me a andar sem calcinha,
Joseph.
— Tarde demais — sussurro no ouvido dela quando introduzo um dedo dentro dela, depois outro, enquanto o polegar massageia o clitóris entumecido. A peça rasgada é esquecida, e Demi ronrona como uma gatinha, abrindo um pouco mais as pernas, dando mais acesso ao meu toque. A cabeça pende em meus ombros, completamente entregue. Eu continuo fodendo-a com meus dedos até que meu pênis esteja estourando dentro de minha calça. Livro-me do brim e cueca com um movimento rápido.
— Ah — suspiro fundo, ao mergulhar dentro dela — Deus, eu poderia morrer assim.
Eu começo a entrar e sair de sua cavidade macia, primeiro lentamente, a sensação é muito boa. A vagina pressionando em volta de meu pau, me ordenhando, me sugando, me absorvendo completamente. Depois, quando já não suportamos mais tanta tortura, agonia e tantas ondas de prazer nos consumindo, pego-a duro. Estocando com mais velocidade e força.
— Oh — Demi grita, agarrada a porta — Isso amor! Ahh!
Agarro-a firme pelo quadril a segurando com mais força, penetrando-a ainda mais, desencadeando uma onda de prazer que tomou meu corpo, impedindo-me de raciocinar, enquanto ela estremece com a intensidade de seu orgasmo.
Não sei dizer ao certo quanto tempo se passou, quando coloco-a de frente a mim, apoiando minha cabeça em sua testa dela
— Era sobre isso que estava falando para aqueles idiotas — procurando regular a respiração
acelerada.
— Transar no meio da rua? — ela me olha com olhar safado.
— Não! — pego minha cueca emaranhada na calça e entrego a ela, enquanto coloco a calça —
Fazer amor com você a noite toda.
— Eu gosto disso — ela geme, balançando a cabeça, como uma boa menina.
— E última. Eu disse que você iria se surpreender? — ela rebate, girando o dedo, indicando a rua — Só não sabia que eu também ficaria surpresa.
— Dois podem jogar esse jogo, feiticeira — rio entre seus lábios — Nunca subestime um homem apaixonado. Vamos embora, ou casaremos em um hospital, ou o mais provável, na cadeia. Ajeito minha camisa em seu corpo e conduzo-a de volta para a moto. Acomodo-a e acaricio suas coxas, brevemente. Beijo-a até perdemos o fôlego.
— Foi a melhor despedida de solteiro da minha vida.
O resto da noite, de fria não teve nada.

***

Passo pela porta do quarto que passarei a dividir com Demi por um longo tempo. Pelo menos até chegarem os bebês. Eu queria que fosse logo, mas sua prioridade são os estudos, então, teremos que adiar isso por enquanto. Movo a maçaneta com cuidado. Trancado. O que diabos ela está aprontando dentro desse quarto, dessa vez. O que precisa ser mantido a sete chaves?
— Joseph! — eu pulo assustado e a encaro com olhar culpado — O que eu disse sobre não
entrar nesse quarto? Nunca!
— Desculpe, amor — faço cara de menino levado.
— Não vai mais ficar aqui — Demi sai pisando duro pelo corredor e segue para o quarto de
hóspedes, onde passamos a dormir desde o dia anterior. Vejo-a jogar uma mala de mão em cima da cama e algumas peças de roupa dentro dela.
— O que está fazendo? — pergunto ao notar minhas camisas sendo arremessadas dentro da mala.
— Não ficará mais no apartamento — murmura, chateada — Até o nosso casamento amanhã,
quero-o bem longe.
— E para onde vamos? — sento na cama com sorriso no rosto.
— Eu vou para meu antigo apartamento — murmura ela, zangada
— Não tá falando sério — sorrio, mas ao notar seu olhar determinado meu sorriso se desfaz — Tá falando sério?
— Estou sim, e de qualquer forma, não pode ver a noiva antes do casamento. Dá azar.
— Isso é uma superstição ridícula, Demi. E o noivo, não pode é ver a noiva com o vestido.
— Não importa — ela empina o queixo — Eu avisei que aquele quarto era PROIBIDO, é uma
surpresa. Me deu sua palavra, e não cumpriu.
— Mas eu não vi nada.
— Você é um trapaceiro!
— E para onde eu vou? — pergunto atordoado, enquanto ela joga a mala ainda aberta, em minhas mãos.
— Fique com Adam, Peter, Liam — ela sugere — Tanto faz, desde que fique bem longe daqui.
— Mas e quanto à gente? — pareço perdido — Não vamos dormir juntos, como todas as noites? De conchinha? Não consigo mais dormir sem você ao meu lado — continuo, pedindo por misericórdia — Eu não consigo.
Eu apelo para seu lado romântico e sensível. Dormir é a última coisa da qual penso no momento.
Eu estou nervoso. Sexo me acalma. Ela me acalma.
— Não força a barra, Joseph! — ela acena com a mão, enraivecida — Até amanhã.
A porta bate a milímetros do meu nariz. Filha da mãe! Demi, deve estar querendo bater o recorde de bater à porta na minha cara, só pode. Eu já não consigo contar nos dedos quantas vezes ela fez isso em um curto prazo. E eu havia mesmo me transformado num cordeirinho. Inferno!
Uma hora depois, toco a campainha da casa de Adam com um sorriso amarelo no rosto. Eu juro que Demi vai me pagar por tudo isso. Sexualmente, mas vai.
— Mas nem casou e já quer o divórcio? — ele ri e dá espaço para que eu entre.
— Engraçadinho — reviro os olhos de sua piada ridícula — Posso dormir aqui?
— Mi casa, su casa.

***

Passamos a tarde comendo pizza, jogando cartas ou enfadados em frente a TV. Estou a ponto de quebrar essa maldita regra que ela havia inventado, quando meu telefone toca.
— Peter? — atendo o telefone com pressa.
— Pode vir ao meu escritório? — diz ele, parece-me um pouco tenso.
— Agora?
— É muito importante — ele pigarreia — Demi está aí?
— Não. Estou na casa do Adam.
— Aconteceu alguma coisa? — Peter parece preocupado.
— Loucuras da Demi — eu explico — Chego em uma hora.
Não sei o que pode ser tão importante um dia antes do meu casamento. Chego ao escritório em menos de uma hora. Peter, está escorado contra a mesa, ao lado dele está uma mulher de costas para mim. Apesar de não ver o seu rosto, um calafrio passa pelo meu corpo.
— Sarah?
Quando Peter retornou da Itália, sozinho e com a notícia de que a mãe de Demi ofereceu
resistência em reencontrá-la, eu fiquei aliviado de certa forma. Embora eu odeie ter que mentir para ela.
Na realidade, contaria a verdade sobre a mãe dela, depois de nosso casamento. Não iria manchar um dia tão importante para nós dois, com algo tão doloroso como o surgimento de uma mãe que passou anos distante. Não posso deixar que essa mulher coloque tudo a perder agora.

Joseph ficou com muito ciúme da Demi no palco, mas ela só queria agradar ele né hahaha.
sempre ficam assim mas logo se acertam com muito amor, o que será que tem no quarto?
Demi expulsou ele de casa até o casamento, tadinho hahaha.
a mãe da Demi apareceu, o que será que vai acontecer?
está acabando a história, falta apenas três capítulos :(
espero que tenham gostado e comentem o que acharam.
volto em breve, bjs amores <3
respostas do capitulo anterior aqui

20 de ago de 2017

for you: capítulo 31


Fora da minha vida

Termino de preparar a bandeja com o café da manhã. Demi ainda está dormindo, pelo menos, estava quando saí da cama há meia hora. Gosto de mimá-la de vez em quando. Ainda mais nos últimos dois dias, notei que ela anda um pouco diferente, meio aérea, ás vezes, melancólica. Sempre procura disfarçar quando a flagro com o pensamento longe, mas eu sei que me esconde algo.
Pode até ser as preocupações com o casamento, que a deixam estressada assim, como ela mesma diz, sempre que a questiono. Espero que seja mesmo isso, e que minha família, não tenha nada a ver com isso.
Escrevo um bilhete rápido e coloco ao lado do seu chocolate preferido. O celular em cima da
mesa vibra, quando estava prestes a pegar a bandeja e levá-la para cima. O número na tela me deixa bastante intrigado.
— Mãe? — pergunto.
— Bom dia, Joseph — murmura ela.
Há semanas que eu não a vejo ou falo com ela. É uma surpresa que tenha entrado em contato comigo, depois da nossa última conversa. Minha mãe é muito orgulhosa, jamais daria o primeiro passo a não ser que algo tivesse acontecido.
— Kevin está bem? — pergunto, apreensivo.
— Até que onde eu sei, sim — diz ela.
Olho o dia chuvoso através da janela, o chuvisco manchando o vidro com pequenas gotículas. Se eu fosse comparar minha mãe a alguma coisa, seria como um dia como esse. Cinza, nublado e frio.
Mas até mesmo dias como esses, recebiam raios de sol de vez em quando. Pergunto quando ela se livrará dessa couraça que construiu ao redor dela. Quando dará a si mesma, a oportunidade de amar e ser amada.
— Eu vou dar um jantar em casa e eu quero que compareça — acrescenta ela — Traga sua noiva.
— Demi?
— A não ser que tenha mudado novamente — murmura ela, num tom que dava a entender a
estupidez da minha pergunta.
— O que pretende, mamãe? — enrijeço, desconfiado.
— Acertar as coisas — ela funga, contrariada.
— Está me dizendo que mudou de ideia? — digo, com certa relutância — Vai aceitar o meu
casamento?
— Eu tenho outra alternativa? — resmunga.
Não, ela não tem. Eu havia sido claro com ela em relação a Demi, ela está na minha vida de forma permanente. Nada do que minha mãe fizer ou disser, mudará isso. Eu havia encontrado minha alma.
Sinto-me completo agora e feliz como nuca estive.
— Bem, vou ver o que Demi acha...
—Agora precisa da permissão dela, para visitar sua mãe doente? — interrompe-me ela.
— Não se faça de vítima, mamãe — repreendo-a — E a sua saúde vai muito bem.
Eu já havia caído em sua chantagem uma vez. Está muito enganada se pensa que poderá usar essa artimanha novamente.
— Bem, espero vocês amanhã à noite — ela encerra a ligação antes que possa dizer alguma coisa.
Apoio-me na mesa, meditando sobre esse convite inesperado.
— Quem era? — pergunta Demi.
Está escorada contra parede, perto da porta. Linda como sempre. Os cabelos longos, caindo
cacheados e desalinhados em volta do rosto. Minha camiseta preta favorita, fazendo com que pareça extremamente sedutora. A gola caindo de lado, deixando uma parte do ombro esquerdo a mostra. A barra pouco cobre as pernas torneadas. O olhar gaseado, de quem acabou de acordar. O conjunto da obra é terrivelmente sexy para mim.
— Minha mãe — murmuro, aproximando-me dela — Ela nos convidou para jantar amanhã à noite.
Abraço-a, pois meus dedos estão formigando para isso. Apodero-me de seus lábios ao mesmo tempo que faço uma carícia leve em sua bunda, pressionando seus quadris nos meus.
— O que? — ela geme, tentando desenroscar-se dos meus braços — Isso é sério?
— Se não quiser, não precisamos ir — beijo-lhe o pescoço, inebriando-me com perfume
adocicado. É o suficiente para me deixar excitado. Apenas olhar para ela me deixa excitado.
— Joseph — ela se afasta, indo para o outro lado da mesa — Acha que Diana está tentando se
aproximar? Acho que depois de...
— Depois do que? — pergunto rodeando a mesa, como gato a caça do rato. Está tão
compenetrada em seus pensamentos que só nota minha presença quando a coloco sentada em cima da mesa.
— Eu quero — diz ela, após um gritinho de surpresa — Acho que ela entendeu que nos amamos... que eu amo você. Se ela quer tentar, por que não?
— Isso a faz feliz? — pergunto, preocupado.
— Vê-lo feliz é o que me faz feliz — murmura ela. Eu consigo ver a esperança brilhando em seus olhos. Deus, que minha mãe não a magoe. Não sei o que seria capaz se isso acontecesse.
— Está bem — volto a beijá-la com doçura, seguro seu rosto com ambas as mãos — Vamos
enfrentar a fera. Aconteça o que acontecer, sempre estarei ao seu lado. Sempre.
Dessa vez, é ela que me beija. Um longo e profundo beijo. Minhas mãos seguem tocando-a por todo corpo, até pousar nas coxas macias. Num movimento desesperado agarro a barra da camisa, levantando-a lentamente, meus dedos tocando suavemente a pele alva.
Jogo-a em uma cadeira e paro um momento para observá-la. Os seios empinados em minha
direção, como se suplicassem por serem tocados. Sentindo meu corpo ferver, passo a beijá-los.
Enquanto me farto de um seio com minha boca, acaricio o outro apertando o bico, fazendo-a arquear o tronco em oferta. Suas mãos agarram meus cabelos e passo a beijar o seio com sofreguidão, arrancando gemidos alucinados dos lábios dela.
— Ah... — suspira Demi, tocando meus ombros nus.
Felicito-me por usar apenas a calça moletom, a qual me desfiz com um gesto rápido. Meu pau rijo toca-lhe o ventre e esfrego-me contra ela. Nessa doce fricção que faz-me arder de prazer.
— Feiticeira... — gemo ao apoderar da cavidade úmida e lisa que dá para entrada de sua vagina, aprofundando o dedo dentro dela, lubrificando, excitando, umedecendo-a para que me receba como quero.
— Querido... — soluça Demi, movendo os quadris, completamente entregue — Por favor.
Apodero-me de sua boca e beijo-a como se quisesse devorá-la. Minha necessidade aumentando.
Afasto a bandeja para o lado e deito-a sobre a mesa, enroscando suas pernas em volta do meu quadril. Quando penso que estou ao ponto de enlouquecer arremeto dentro dela, com força. Demi contrai-se e morde o lábio, em puro êxtase.
Começo a mover-me guiado pelo delírio de estar dentro dela, preenchendo-a profundamente.
Afasto-me abruptamente e volto a penetrá-la com mais força. O compasso dos meus movimentos aumentando, cada vez mais rápidos, enquanto nossos corpos se ajustam sincronizados.
Noto-a explodir, o corpo convulsionando. Então permito-me entregar-me aos espasmos de prazer e gozo, meu jato quente, jorrando dentro dela. Como se eu quisesse esvaziar minha alma dentro dela.
Desabo sobre o corpo delicado, ainda dominado pelo arrebatamento e tremor de satisfação.
Alguns instantes depois, ergo-me para não sufocá-la com meu peso. Puxo-a para um abraço apertado, fazendo sua cabeça descansar em meu peito. Deslizo os dedos em seus cabelos, enrolando-os em uma carícia suave, enquanto nossas respirações começam a desacelerar.
— Isso é para mim? — suspira ela, indicando a bandeja, há muito tempo esquecida.
— É, eu ia entregá-la na cama — brinco com sua orelha — O que a tirou da cama?
— Ela estava vazia demais, senti sua falta — ela se aconchega mais a mim — Meus pés estavam ficando gelados.
Solto uma gargalhada antes de depositar um beijo em sua testa.
— É a primeira vez que me comparam a uma meia — belisco suas bochechas — Mas valeu a
pena.
Afasto-me um pouco e volto a vestir-lhe com a camisa.
— Tome seu café — murmuro, ao acomodá-la em uma das cadeiras.
— Você já tomou o seu? — pergunta ela, com a voz manhosa.
— Sim. Vou tomar uma ducha antes de ir para o trabalho, talvez dê tempo de comer novamente — pisco olho e sorrio das palavras dúbias — Estou louco para comer novamente.
— Está? — geme ela, lançando-me um olhar endiabrado.
Sempre!

***

Estamos um pouco atrasados para o jantar com minha mãe. E ela odeia atrasos. Tivemos um
imprevisto que nos fez desviar do planejado. Passamos a última hora na casa de Jenny. Anne
envenenou Amanda contra Jenny. Isso havia deixado Neil furioso e, ele acabou indo atrás dela para acertar as contas.
— Está pronta? — sinto-a muito nervosa — Podemos ir embora se quiser. Depois da última
hora...
Eu sei que o que ela mais quer é que minha mãe a aceite e que nós voltemos a ser uma família de verdade. Como se algum dia tivéssemos sido isso. Acho que essa noite está sendo mais importante para ela do que para mim.
— Estou bem, querido — diz ela, num fio de voz — Tudo ficou bem entre Jenny e Neil, então,
vamos em frente.
Saio do carro e contorno-o para abrir a porta para ela. Ao segurar suas mãos, vejo o quanto estão frias. Entrego as chaves ao segurança de plantão e caminhamos pela trilha de pedras que leva a imensa mansão.
— Ei... — toco-lhe o queixo — Vai ficar tudo bem. Estou ao seu lado, lembra?
Demi balança a cabeça e sorri, com coragem. Está magnifica em um vestido tomara que caia, cor de pêssego. Os cabelos presos de lado, caindo em cachos pelos ombros e, os lábios tentadores em um batom vermelho sangue.
— Está linda — toco seus lábios de leve — Não se afaste de mim.
— Joseph... — ela protesta, assim que alcançamos a porta.
— É sério — prossigo — Alguns velhotes amigos de minha mãe, são bem saidinhos. Não quero você perto deles por muito tempo.
Em resposta, recebo um revirar de olhos acompanhado de um sorriso. Retribuo, feliz de que eu tenha alcançado o meu objetivo.
— Oi, querido — uma senhora, meticulosamente uniformizada atende a porta.
Abby trabalha como governanta na casa desde que era pequeno. Foram inúmeras vezes que chorei em seu colo quando me machucava ou quando queria me esconder das broncas de meus pais por causa de alguma travessura. Foi o mais perto que tive de afeto materno. Minha mãe esteve sempre ocupada com sua vida social para dar muita atenção aos filhos.
— Olá, Abby, essa é minha noiva, Demi Lovato — beijo-lhe o rosto com carinho — Demi, essa é Abby. Ela é como uma mãe para mim.
— Não diga tolices, seu bobo — diz ela, com as bochechas coradas, enquanto estende a mão em direção a Demi— Prazer Srta. Lovato.
— Prazer o meu — murmura Demi, ignorando a mão esticada para dar-lhe um caloroso abraço — Pode me chamar de Demi.
O gesto me toca. Sophie nunca teve um olhar para Abby que não fosse de superioridade. Mesmo sabendo o quanto a senhora havia sido importante em minha vida.
— Mas entrem — diz Abby, encabulada — Sua mãe está na sala.
— Deve estar intragável, devido ao nosso atraso — murmuro.
— Pergunta por você e sua noiva, a cada dez minutos — diz Abby.
Seguimos pelo longo corredor que leva a sala de visitas. Minha mãe se aproxima, atravessamos a porta.
— Aí estão vocês — retruca ela — Espero que tenha uma desculpa convincente, Joseph. Não
pensei que ia perder os bons modos tão rapidamente. Não é de bom tom deixar as pessoas esperando.
— Houve um imprevisto de última hora — Demi se justifica — A culpa foi minha.
— Eu não duvido — ela sussurra.
— Mamãe... — começo, em sinal de alerta.
— Não se preocupe querida — Diana, assentiu, com um meio sorriso — Vamos, quero apresentá-la para algumas pessoas, antes do jantar.
Ela passa os braços em volta de Demi e arrasta-a para um grupo de senhoras do outro lado da sala. Ao total, somos cinco casais e Kevin. Isso me deixa em estado de alerta. Pensei que seria um jantar íntimo, apenas para a família.
Resta-me fazer companhia a Kevin, em um canto, perto do bar.
— Danielle não está aqui? — pergunto a Kevin. Não vejo-a em parte alguma da sala.
— Alguns se casando e outros... — diz ele, numa voz sem emoção.
Não foi preciso que ele terminasse a frase para que eu compreendesse. Há algum tempo o
casamento deles vem enfrentando crises. A última delas, é que Kevin havia descoberto ser estéril.
— Sinto muito, Kevin — sussurro.
Volto a observar Demi, a distância. Desejo muito ter filhos com ela, mas se isso não for possível, poderíamos adotar quantas crianças ela desejasse. Até havíamos conversado sobre isso, em adotar alguma, mesmo tendo nossos próprios filhos. Porém, como o problema de Kevin não é genético, mas foi causado por uma doença que teve quando criança, essa ameaça não pesa sobre minha cabeça.
Demi nota meu olhar sobre ela e sorri, parece estar se divertindo. Apesar da expressão fechada, minha mãe parece estar sendo gentil com ela. Então, vou relaxando aos poucos. Quem sabe o problema de Kevin tenha aberto os olhos de minha mãe? Meus filhos serão os únicos netos que ela poderá ter.

***

O jantar seguiu tranquilo. Afinal, Demi é uma convidada de minha mãe, portanto, é bem-vinda em sua roda de amigos. As pessoas são simpáticas com ela, que retribui em charme e elegância.
Algumas vezes, vislumbrei alguns olhares compenetrados e indecifráveis de minha mãe em direção a ela. Sempre que isso acontecia um fio gelado passava por minha espinha, me incomodando.
Acaricio a mão de Demi por debaixo da mesa. Ela diz alguma coisa à senhora ao lado dela a
mesa e me sorri, como tem feito durante a noite.
— Meus queridos, gostaria de convidá-los para irmos até a outra sala — a voz de minha mãe
ecoa, chamando a atenção de todos — Tenho um comunicado a fazer.
Demi e eu somos os últimos a deixar a mesa. Puxo-a para um canto mais escuro do corredor, atrás de um enorme vaso de planta. Apodero-me de seus lábios macios, algo que quis fazer durante toda a noite.
— Acha que vai falar do nosso casamento? — murmura ela, os lábios ainda colados aos meus.
— Talvez — sussurro, acariciando seus ombros nus, minhas mãos deslizam pelas suas costas, até pousa na bunda empinada e macia, agarro as nádegas e puxo-a para mais perto de mim.
— Pare, Joseph — ela geme, ao sentir meu pau cutucando sua virilha — Comporte-se.
— Ouviremos o que ela tem a dizer — pressiono-a contra a parede, enroscando uma de suas
pernas em minha cintura, enquanto me esfrego contra ela — E vamos embora.
Esfrego o nariz contra seu pescoço, enquanto ela agarra meus cabelos.
— Pare — ela se afasta, ajeitando as roupas, a respiração acelerada — Seu tarado.
Inspiro fundo, e procuro controlar minha respiração desenfreada.
— Ou talvez você queira conhecer meu antigo quarto? — digo, malicioso, dando alguns passos em direção a ela, como um felino.
Demi respira fundo também.
— E irritar sua mãe — diz ela, fazendo bico — Agora que caminhamos para um entendimento.
Guarde esse taco para o próximo jogo campeão.
Ela ri e limpa meus lábios sujos de batom.
— Vamos, antes que nos procurem — estende as mãos para mim e eu a guio pela casa.
Essa casa sempre foi gigantesca para mim. Quando criança até gostava. Constantemente fingia ser uma fortaleza com calabouços e tudo. Na adolescência usava-a para impressionar as garotas. Depois pareceu-me exatamente o que é, uma mansão fria e solitária.
Assim que nos reunimos as outras pessoas, noto que todos já estão em seus lugares, espalhados no imenso sofá branco. Os tons de mogno predominam no ambiente. Assim que nos sentamos minha mãe aperta um botão no controle remoto em sua mão e uma imensa tela ergue-se da parede revelando a TV que ocupa metade dela.
— Queridos, como sabem, estou sempre envolvida em projetos sociais — diz minha mãe, com a voz aveludada — Temos tanto, e devemos retribuir a vida de alguma forma. É nosso dever ajudar os menos afortunados na vida. Pessoas que não tiverem a sorte de serem tão bem nascidas como nós.
A filosofia seria bonita, se eu não soubesse que por trás disso tudo, não houvesse apenas jogos de aparências. Contudo, o que importa não é a sua sinceridade, mas sim as pessoas que podem ser ajudadas.
— Esse projeto é muito importante — ela continua, enquanto liga a TV e prepara o vídeo — O
alcoolismo é um dos grandes problemas da nossa sociedade, atingindo jovens e adultos. Por isso, é tão importante para mim, e gostaria de contar com vocês nessa luta.
O vídeo começa com um médico falando sobre os malefícios do álcool, as estáticas que são
alarmantes e todas as consequências caóticas que esse vício acarreta. Embora a intenção de minha mãe seja louvável, não entendo por que levantar o assunto essa noite.
A cena muda para um bar. Um homem berra, alcoolizado.
— Eu não tenho família — vocifera ele — As desgraçadas da minha ex esposa e filha sumiram no mundo. Mas eu vou reencontrá-las e verão o que farei.
A cena é muito decadente. O homem desalinhado e sujo promove uma cena digna de pena.
— Não! — um grito abafado ecoa através das paredes e teto oval.
Dou-me conta que o som angustiado e dolorido vem de Demi ao meu lado. Suas unhas cravam-se em minha pele e, quando olho em seus olhos a dor é tão intensa que posso senti-la.
— Meu pai — sussurra ela, baixinho — É meu pai.
O suspiro carregado de dor atinge-me como uma facada no peito. Olho para minha mãe, ainda atordoado, uma onda de náusea envolve-me, enquanto pouco a pouco o entendimento desce sobre mim. O olhar vitorioso que lança em direção a Demi, coberto de ironia e o sorriso de vitória enche-me de ira.
— Por que está fazendo isso? — Demi pisca em meio as lágrimas escorrendo pelo seu rosto —
Você não sabe de nada. Não sabe quem ele é!
Ela levanta encarando as pessoas ao seu redor. Parece-me um animalzinho acuado, ferido,
perdido. Nunca a vi tão machucada como agora, nem mesmo quando nos separamos a primeira vez. Eu sei o que esse homem significa na vida dela. Todos os pesadelos que teve. E quando havia virado a página amarga de sua vida, minha mãe havia trazido o demônio diretamente das portas do inferno. Se há alguém que eu odeio é esse homem, por todas as lágrimas e cicatrizes que ele havia deixado na alma da Demi.
— Sinto muito — Demi soluça para mim.
As pessoas nos olham entre chocadas e pesarosas. Nem todos ali são tão cruéis como minha mãe.
— Pobre homem, ser abandonado por....
— Chega! — meu grito ecoa na sala, silenciando o burburinho ao nosso redor. Sinto o gosto da bílis queimando minha garganta. Eu juro que iria contra todos os meus princípios e respeito que tenho por ela, poderia ser capas de agredi-la se não calasse a maldita boca — O que pensa que está fazendo?
O silêncio predomina destacando ainda mais a voz ébria que ecoa irritantemente da tela.
— Joseph! — os olhos arregalados de minha mãe parecem saltar de órbita — O que pensa que está fazendo?
Olho para a TV estilhaçada após ser atingida por um vaso que eu nem me dei conta de ter pego e arremessado de encontro ao vidro. Tudo o que eu consegui foram os olhos que eu amo perderem o brilho. A profunda tristeza que vi no rosto de Demi estilhaçou meu coração em milhares de pedaços.
— Por que fez isso? — sibilo, minha voz aparentando exatamente toda a raiva que emana de mim — Toda a vez que você a ataca, está me ferindo. — Cada vez que a magoa... — digo, de maneira sombria — Está magoando a mim.
— Só queria que soubesse onde está se metendo... — diz ela, aos berros, saindo de sua pose
inabalada.
— Cala boca! —grito, furioso — Cala essa maldita boca!
Sua cabeça volta para o chão
Por momento seus olhos encaram o chão, a boca retorcida.
— Vai se arrepender — ela desafia.
— Mamãe chega — Kevin se coloca ao lado dela.
Encaro-o decepcionado, magoado, entristecido.
— Você quis humilhá-la — pronuncio as palavras, de modo lento, meus olhos frios, duros, em direção a eles — A única pessoa humilhada aqui é você. Tenho vergonha de dizer que uma pessoa cruel, mesquinha e amarga como você seja minha mãe.
O laço está sendo rompido, definitivamente, uma ruptura que jamais poderá ser selada novamente. Um dia ela foi a minha mãe, que eu amei, apesar de todas as nossas diferenças, hoje, eu só sinto desprezo. E isso dói. Massacra-me ter que lhe virar as costas, mas não há outra alternativa. Eu jogo o último punhado de terra sobre o caixão e, onde abro uma imensa ferida em meu peito. Ferida a que talvez jamais se cicatrize.
— Acho que todos vocês devem ter entendido quem realmente é digno de pena aqui — fito as
pessoas em volta, surpreso em como minha voz parece calma, quando por dentro há uma avalanche de sentimentos desabando sobre mim, comprimindo meu peito — A grande dama que conhecem não passa de uma mentira. Feriu uma jovem inocente simplesmente por ter sangue azul...
Cuspo as palavras como se fossem fel saindo de minha boca.
— Vangloria-se por suas caridades, mas não ama os próprios filhos — encaro o rosto gelado de minha mãe, um rosto que para mim deixou de ser humano — Amo aquela garota, Diana. Nada mudará isso. Tentei inúmeras vezes que você compartilhasse e fizesse parte de todo esse amor e felicidade. Agora.... Quero-a longe de nossas vidas. Definitivamente. Não tem ideia de tudo que irá perder.
Recomponho-me e percebo que Demi não está mais na sala. Estive tão compenetrado em enfrentar minha mãe que não me dei conta quando saiu.
— Eu juro que se você colocar aquele homem perto dela — sibilo — Eu vou matá-lo. Pense
muito bem sobre isso.
Enquanto encaro seus olhos congelados, uma imensa dor oprime meu peito. Eu posso ouvir meu coração martelando acelerado, zunindo em meus ouvidos. Saio sem pensar em mais nada, a não ser encontrá-la. Olho ao redor da mansão, desesperado. Onde poderia ter ido, sozinha?
— Espere, Joseph! — Charles agarra meu braço.
— Solte-me — exclamei, de raiva e de dor, enquanto tentava passar por ele — Fique longe.
— Eu não tive nada a ver com isso — apela ele — Eu juro. Eu não sabia de nada sobre isso. Tem uma coisa que preciso contar a você. Espero que me perdoe um dia....
Noto a sinceridade em seu rosto. Pode ser que eu me arrependa, mas vejo-a ali.
— Preciso encontrá-la, Kevin — interrompo-o. O que quer ele tenha a dizer não me importa
agora.
— Certo — murmura ele —Vou te ajudar a encontrá-la.
Encontramos o segurança que ronda a casa. Ele disse que a viu indo em direção ao portão. Quis ajudá-la, mas Demi não lhe deu ouvidos.
— Ela caminhou naquela direção.
— Vamos para o meu carro — Kevin sugere — Está mais fácil de sair.
Giro a cabeça em direção a escuridão. Esse não é um bairro perigoso, mas não está imune de
algum maluco ou pervertido.
— Não — maneio a cabeça — Vou seguir a pé na direção que ela foi. Você vai no seu carro.
Disparo em direção a saída, olhando desnorteado em todas as direções. Grito por ela,
enlouquecidamente.
Um ranger de um balanço desperta minha atenção. Apuro os ouvidos e contorno as árvores em volta de um parque infantil. Vou em direção aos balanços. Quase grito de alívio e contentamento, quando a vejo, sentada em um balanço amarelo. Contenho-me para não assustá-la.
Parece uma garotinha, a cabeça encostada nas correntes de ferros, os pés balançando no ar.
— Demi — caminho silenciosamente e jogo-me aos pés dela, minha voz saindo ofegante — Eu sinto muito. Perdoe-me.
Ela olha para mim, muda de surpresa. Parece consternada enquanto acaricia meu rosto com
delicadeza. Por um momento, enquanto estive procurando-a às cegas, cogitei a possibilidade de que pudesse perdê-la. Agora entendo o significado de morrer de amor. Seria esse meu fim, se ela decidisse afastar-me de sua vida.
— Eu entendo se estiver me odiando... — tento dizer, mas as palavras entalam em minha garganta — Saiba que eu a amo e vou amar eternamente. O passado ou até mesmo o presente não importa, quando tudo que almejo é um futuro ao seu lado.
— Aquele homem — começa ela, tentando parecer mais corajosa do que realmente sente.
Eu vejo pelos lábios trêmulos o quanto é difícil.
— Ele não importa — seguro seu rosto, apetando meus lábios contra os dela — Ninguém mais importa. Apenas nós dois.
— Não quero vê-lo — gagueja ela, atirando-se em meus braços — Por favor.
— Ele nunca chegará perto de você — esfrego seus ombros, tentando com que o atrito traga um pouco de calor ao seu corpo frio — Eu prometo.
Embalo-a por alguns segundos, acariciando seus cabelos.
— Quanto a minha mãe...
— Esqueça — Demi coloca um dedo em meus lábios, impedindo-me de continuar — A culpa não é sua. Eu jamais quis ficar entre você em sua família. Sinto muito, eu tentei, mas posso reparar as coisas. Nunca quis estar entre vocês...
— Não escolhemos quem nos dar a vida, mas escolhemos quem queremos que permaneça nela. Eu quero você. Isso é tudo que importa.
Estendo a mão para ela, tirando-a do balanço. A partir desse momento estamos conectados. Para sempre.

falei que iria rolar treta nesse jantar, essa mãe do Joseph não presta mesmo. 
o Kevin ele é um homem bom, só às vezes que ele pisa na bola.
o que posso dizer é que a mãe do Joseph não irá atrapalhar mais.
espero que agora o Kevin se entenda com eles.
viram que o pai da Demi é um alcoólatra e que ele fez muito mal para elas. 
sobre o que vai acontecer na despedida de solteiro, só no próximo capitulo.
espero que tenham gostado e comentem o que acharam.
volto logo, bjs amores <3
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