28 de jun de 2017

for you: capítulo 15


Passeio

Nunca a espera de uma resposta foi tão importante para mim. Nem mesmo quando tinha quatorze anos, e pedi uma garota em namoro pela primeira vez. Talvez, porque eu fosse mais seguro de mim mesmo do que imaginava, na época, não são assim todos os jovens? Ou quem sabe, eu não desse tanta importância a relacionamentos como hoje. Talvez a razão real, seja a mulher em questão. Com Sophie, segui apenas as expectativas de todos, o que era esperado de mim. Já com Demi, tudo sempre é surpreendente, eu nunca sei onde estou pisando ou o que ela irá fazer.
Se me dissessem alguns meses atrás, após pegar minha ex-noiva com outro, que em breve estaria em expectativa à espera desse sim, eu diria que a pessoa era completamente insana.
No entanto, aqui estou eu, com o coração na mão, batendo acelerado no meu peito e mais forte que um maratonista. O fato de saber que eu tenho menos de dois meses, dois meses para provar a essa mulher, que eu sou tudo o que ela precisa e que ela é tudo o que eu quero, não ajuda muito. Mesmo que para isso eu tenha que mostrar o meu verdadeiro eu. Inteiro, completo, desnudo. Então, é isso o que farei, mesmo parecendo assustador. O mais irônico é que Demi tem o poder de me levar do céu ou inferno e não tem a menor consciência disso.
— Então, o que me diz? — insisto, ansioso.
— Eu aceito.
Pausa. Alívio.
— Pego você amanhã às dez — murmuro, sorrindo como um babaca, caminhando de costas até o carro. A visão dessa jovem mulher, linda, encantadora e sedutora a minha frente é fascinante demais para que eu dê as costas a ela. Eu estou embriagado — Ah, use algo casual. Faremos algo diferente.
— Está bem — ela continua parada a entrada, olhar pesaroso, encostada contra o portão — Até amanhã.
Nunca foi tão difícil agir da forma certa, acredite tenho feito isso a minha vida inteira. O que eu quero, é ir até ela e arrastá-la para cama, sofá ou chão de seu apartamento, o lugar não importa, desde que estivesse em meus braços. Todavia, eu não tenho escapatória. Ou a conquisto da forma que ela espera ou a perco de vez.
— Demi? — entro no carro e baixo o vidro encarando-a.
— Hum?
— Entre! — falo, impaciente.
Que droga, uma vez na vida ela poderia facilitar as coisas para mim. Em vez de parecer uma
donzela a espera de um beijo. Pois é exatamente isso que eu quero fazer. Talvez puxá-la para dentro do carro e fodê-la ali mesmo, como da outra vez.
Como se libertar de um transe, ou estivesse pensando o mesmo que eu, vejo-a ficar rubra e
desaparecer no interior do prédio.
— Podemos ir agora — sentencio, através do intercomunicador.
Chego em casa, tendo a TV e o controle remoto como minhas únicas companhias da noite. O que deveria fazer, é mandar todas as minhas boas intenções para o inferno e procurá-la. Como sei, que tenho mais a perder do que ganhar, afasto esses pensamentos contraditórios.
Uma coisa é desejar, outra, é que meu corpo em chamas entenda o recado. Sem outra opção,
alivio-me como posso. Enquanto dou prazer a mim mesmo, fantasio todas as formas que vou tê-la amanhã, quando estiver em minha cama. Com esse pensamento, grito seu nome e libero meu prazer, caio no sono em seguida.

***

Óculos escuros, vestido solto, sandália baixa, cabelos ao vento e sorriso encantador. Esse é o
quadro que eu diria ser perfeito, como um quadro de Joaquin Sorolla. Eu nunca serei capaz de deixar de admirar sua beleza exótica, nunca. Sou um filho da puta de muita sorte.
— Bom dia — tiro meus óculos para observá-la melhor — Está pronta?
Demi encara a moto, como se fosse o monstro do lago Ness e não como uma Harley Davison
legítima, pensei que ficaria feliz em ver novamente a reluzente, potente moto vermelha e prata. Sua reação é no mínimo estranha. A última vez que esteve em minha moto ela parecia uma roqueira selvagem. Hoje, parece condenada a execução. A menos que tenha adquirido um trauma nos últimos dias nada justifica essa reação.
— Vamos nisso? — geme ela.
— Não está com medo não é? — analiso-a com calma — Não há perigo algum. Já andou nela
antes.
— Não é isso. É que.... — ela inclina a cabeça e morde os lábios da forma que eu adoro — Acho que precisamos conversar antes de ir.
Ah não, ela não virá com todas aquelas historias e desculpas de sempre. Eu até imagino que deva sentir insegurança. Não é diferente comigo. Porra, alguns meses atrás eu fui traído da pior maneira. Eu, deveria ser a pessoa cheia de receios aqui. Volto para moto e pego um capacete preto.
— É sério Joseph... — ela começa a protestar, coisa que ignoro.
— Temos o dia inteiro para conversar — coloco o capacete em sua cabeça e a guio até a Harley — Agora aproveite.
— Você terá cuidado? — murmura.
— Demi, o que está havendo com você? — digo, confuso — Do jeito que fala parece que vamos para um rally.
Dou risada e coloco-a na moto, suas mãos agarram minha cintura com força e noto que estão trêmulas.
— Tudo bem — levanto e ergo sua viseira fixando meu olhar em seus olhos — Se está
com medo não vamos.
— Só tenha cuidado — ela sorri, reajustando a viseira — Vamos lá campeão.
Coloco a moto em movimento. Com cuidado como exigiu. Não entendo essa reação. Uma das coisas que mais me encantou em nosso primeiro encontro foi seu espírito livre e aventureiro. Bem, isso não importa agora, teremos o dia inteiro para que ela me conte o que está acontecendo.
Saímos de Manhattan pegamos a Time Square em sentindo a Coney Island, no Brooklyn. Aos poucos, o ar da cidade é substituído pelo da maresia e uma linda paisagem de céu e mar se erguem diante de nossos olhos. A praia é um dos meus lugares preferidos desde criança, e essa praia a qual estamos indo, é o meu refúgio particular. Estaciono próximo as mediações da enorme roda gigante o sorrio da expressão de surpresa no rosto dela.
— O que foi? —murmuro maroto —Não gosta de parques?
Demi me encara encantada enquanto a ajudo descer da moto.
— Eu adoro — sorri tímida para mim — Só não pensei que também gostasse.
— Gosto de todas as coisas boas da vida Demi — murmuro pegando a mão dela — Desde as
mais simples até as mais exóticas. Preparada?
—Sim, mas eu me recuso a andar naquela montanha-russa assustadora.
Faço bico de desapontamento e olho para ela como um cachorro pidão.
—Vai perder mesmo essa montanha-russa, com queda de 35 metros e um loop com quatro oportunidades de ficar de cabeça para baixo em dois minutos de trajeto em queda livre?
— Jesus! Eu vou, com certeza! — Demi me encara horrorizada. Suas mãos pousam em seu ventre com suavidade e concluo que talvez, ela não seja tão selvagem como imaginei. Não importa, até acho bonitinho.
— Eu não aceito recusa em ralação a roda gigante — afirmo, enquanto a conduzo em meio à
multidão — A vista é linda de lá.
— Acho que posso abrir outra exceção.
Começamos o dia no carrossel B&B que foi restaurado há pouco tempo. Passamos por uma dessas barracas de azar e a presenteie com um sapo de pelúcia, algo que ela não desgrudou um segundo.
Passamos mais de uma hora na fila da roda gigante, mas a vista magnífica, além da companhia, compensou cada instante. Por volta das três, após termos ido a todos as barracas e brinquedos possíveis. Deixo-a em um dos bancos no calçadão e eu vou à busca de comida.
— Aqui — entrego o embrulho a ela — O melhor e verdadeiro cachorro quente de Nova York
diretamente do Nathan’s.
— Cachorro quente? — Demi me encara surpresa.
— Saiba, que esse cachorro quente foi servido para a ex-primeira-dama Jacqueline Kennedy na Casa Branca — passo a perna por cima do banco e sento a seu lado — Não deveria falar com tanto desdém.
— Eu não fiz isso — ela ri, antes de dar uma pequena mordida — Só fiquei surpresa. Barracas, carrossel, cachorro quente. Não combina com essa imagem de homem de negócios e rico.
— Srta. Lovato, você é uma esnobe — provoco-a.
Demi começa a rir e se engasga com o refrigerante. Ajudo-a se recompor e limpo uma gota de mostarda de seu queixo. Nossos olhos se conectam e ficamos assim por alguns segundos.
— Quem imaginaria que por trás de todos esses músculos há um garotinho fofo — diz ela, segura minha mão que está em seu queixo, desliza os lábios por meus dedos, fecha os olhos apreciando o contato. Eu quero beijá-la, só não tenho certeza se esse é o momento certo, então me afasto. Voltamos a comer em silêncio. A decepção em seu rosto, me diz que desejou que a beijasse. Desejo que um caminhão passe por cima de meu corpo. Eu quis beijá-la e ela esperava isso, então por que agi como um covarde idiota?
— Quer dar uma volta? — fico de pé e estendo a mão à ela.
Caminhamos através da orla da praia, nos afastando da multidão. Aos poucos, a praia vai ficando deserta e as pessoas longe da vista. Sento-me na areia e observo o mar calmo. Tiro a jaqueta e estendo na areia para que ela se acomode ao meu lado, apesar do céu nublado, não está um dia muito frio.
— Sempre que preciso de um lugar para pensar eu venho até aqui — murmuro, antes de jogar uma pedra sobre a água — Essa paz me acalma. É um dos meus lugares preferidos.
— É muito bonito — sussurra ela, segura minhas mãos e me dá um sorriso doce —Acho que agora,é um dos meus também.
Não preciso de outro incentivo, desejei isso o dia inteiro, francamente, desde o dia anterior,
desde que saí do apartamento dela aquele dia, e eu não vou perder a oportunidade novamente. Beijo-a, com paixão, saudade, desejo e desespero. O néctar de seus lábios é o que preciso para me sentir vivo.
Deito-a na areia e me esparramo sobre ela com certo cuidado para que meu peso não a sufoque. Deslizo minhas mãos por seu corpo desfrutando de cada curva suave. Afasto meus lábios dos dela e enrosco minha cabeça em seu pescoço delgado. O aroma é inebriante e me deixa duro. Meu membro pulsa dentro da cueca pedindo por liberdade. Dominado por um desejo perturbador, volto a beijar seus lábios para sugá-los, devorá-los, comê-los como pedaços de marshmallows.
— Oh... — Demi fecha olhos e se contorce em meus braços — Joseph!
Fico transtornado pela expressão de desejo em seu rosto. Não posso afastar os olhos dela. Tento controlar meu desejo em fúria, mas, minha normalmente disciplinada libido, se comporta como um trem descarrilhado.
— Isso é loucura — geme Demi.
— Sex on the beach, baby — mordisco sua orelha, e ela treme.
— Joseph! — geme, em uma advertência.
— Demi!
Esfrego o nariz em seu pescoço e deslizo meus lábios por seu colo, absorvo seu seio sob o
vestido deixando a marca circular de minha boca no tecido fino. Procuro o outro seio com um gemido rouco, fico de joelhos na areia e sugo os mamilos até que ela arqueie a coluna balançando a cabeça enlouquecida.
— Eu tenho desejado isso todos os dias — murmuro, voltando para o outro seio. Afasto a alça do vestido e abocanho o seio desnudo.
— Joseph... — ela volta a gemer.
— Eu sei — sussurro, tomando seu rosto entre as mãos. Mergulho outra vez em seus lábios
saboreando-a.
— Eu a desejo tanto Demi...
Sinto como se estivesse fora de mim. Como se apenas um beijo convertesse um animal feroz
dentro de meu corpo, forte, selvagem. Com Demi, eu me sinto livre, nós podemos voar juntos, em qualquer lugar que estivermos, livres, soltos, alto. Ela é minha fantasia em realidade.
— Joseph... Eu preciso dizer algo — diz ela, sem fôlego.
Minhas mãos agarram a barra de seu vestido e eu subo lentamente revelando as pernas torneadas. Minhas mãos vagueiam até as laterais da calcinha de renda e eu me detenho, há um brilho urgente em seus olhos.
— Se entregue querida... — beijo seus lábios — Apenas sinta!
Demi se agarra a minha camisa puxando-me para ela. O que quer que tenha para dizer, está
esquecido, e a razão dá lugar à loucura do momento.
Volto a ficar de joelhos e tiro-lhe a peça íntima, mergulho em seu monte de Vênus como um oásis no deserto. Suas mãos agarram meus cabelos em um pedido mudo para que eu continue. Sem intenção alguma de me deter, continuo tomando-a com minha boca, circulo o clitóris com a língua e meus dedos penetram seu sexo. Demi treme desfrutando das carícias. Por vários anos, eu tenho sido um bom rapaz, por uma vez, por hoje, serei mal e não quero nada, além disso, de Demi, de desfrutar tudo o que posso exigir e ela a oferecer.
Abro o cós da calça e deixou escapar uma espécie de rugido, quando meu pênis salta liberto e duro. Ela me toca com uma mistura de vergonha e sensualidade. Afogo-me no mar de seus
olhos e volto a beijá-la com reverência. Demi, a começa brincar com o meu membro, suas mãos delicadas massageando-o, deixando-me a beira da vertigem. Porra, as mãos dela parecem seda, mas seu toque é como brasa, um toque mágico que me leva a perdição. Não imagino como poderia ficar mais duro, mas estou potente, explodindo e sinto-me queimando por dentro. Estou perdido por inteiro, centrado na mulher em meus braços e no que as mãos dela fazem comigo.
— Espere querida — urro, afastando suas mãos — Não quero gozar agora, pare...
Volto a acariciar seu monte com a língua, dentes e dedos. Seus gemidos enrouquecidos fazem me sentir poderoso. Apoio minha mão em seu ventre impedido que se afaste de meus ataques furiosos.
Demi se contorce e sou impiedoso. Eu quero que ela goze em minha boca, quero que goze em meu pênis eu quero que goze apenas em olhar para mim.
— Joseph... — Demi não consegue ficar quieta. Seu clitóris incrivelmente sensível e a vagina
úmida entre suas pernas, demonstram que está perto — Estou caindo...
Sem desviar os lábios de seu sexo, vejo-a se contorcer e agarrar os grãos de areia voando tão alto como as gaivotas na praia.
Enquanto ela se recupera, saco o envelope laminado do bolso e visto a camisinha em meu pênis ereto.
—Benditas são as mulheres — mergulho fundo dentro dela — Não precisam de tempo para se recuperar e, querida, eu quero fodê-la muitas vezes.
— Joseph — Demi sussurra meu nome, eu a toco onde ela anseia e tomo-a como deseja.
A sensação é eletrizante, nos levando a um lugar nunca estado antes. Onde a única coisa que
importa é estarmos juntos, perdidos no aroma de nossas peles, o desejo que arde sobre elas. Demi move-se, e me fundo mais a ela, meu rosto mergulhado em seu cabelo macio, minhas mãos passeando na suavidade do corpo feminino.
— Não posso... — confessa ela, a paixão rompendo as barreiras do controle, excitada, perdida, entregue.
— Goze! — ordeno, com um gemido rouco, enterro-me mais fundo dentro dela, uma... duas... três vezes — Goze para mim querida! — imerso de novo, mais fundo em sua cova úmida. Uma...duas...três vezes.
— Não pare! — diz ela, enredando os braços ao redor de meu pescoço. Suas pernas enroscando minha cintura. Começo a mexer com mais velocidade, isso é primitivo, selvagem e louco. Agarro suas mãos e prendo sob a areia, nossos dedos enroscados, eu a absorvo mais e mais.
Gemo... Isso!
Fecho os olhos, estoco dentro dela, seu interior pulsa ao redor de meu membro. Mergulho dentro dela de novo e de novo. Busco meu prazer bruscamente e encontro o dela. Mergulhamos e caímos juntos nesse abismo de sensações, como um caleidoscópio de puro êxtase. Desabo a seu lado e deito-a em meu peito. O que eu sempre soube cai sobre minha cabeça como um terremoto. Estou apaixonado por essa mulher e não consigo ver minha vida longe dela.

***

— Isso foi loucura — ela desenha algo em meu peito com os dedos — Poderíamos ser presos,
sabia?
Respiro fundo e prendo-a ainda mais em meu peito.
— Estamos longe, talvez uma ou outra pessoa tenha visto, mas eu não creio nisso.
— Joseph! —grita ela e se coloca de joelho a minha frente. Seu rosto está corado devido ao sexo e pela raiva momentânea. Está linda — Fala isso com tanta naturalidade?
Observo Demi ficar de pé, com raiva arrumando sua roupa, um sorriso frouxo desenha meu rosto.
Levanto apressadamente e encaixo-a de costas contra meu peito.
— Isso até que é excitante — murmuro, em seu pescoço, beijando-a ali — Alguém nos
observando enquanto damos prazer um ao outro. Eufóricos, ouvindo seus gritos e...
— Pare! — ronrona ela, ficando de frente a mim — Você é um pervertido.
— O que posso fazer? — mordo lhe os lábios e dou um tapa em sua bunda — Você é gostosa.
— Tarado!
Ela corre pela praia e eu corro atrás dela. Creio que minha vida de agora em diante será essa,
correr atrás dessa linda, perfeita e endiabrada mulher, que mudou minha vida em todos os sentidos.
— Você coloca o pé aqui — ajudo-a se posicionar corretamente na moto — E as mãos aqui, então você gira... Demi!
— Ahh...
Corro até ela assustado, impedindo que a moto caísse levando-a junto.
— Desculpe-me — aperto seu corpo trêmulo contra o meu.
Porra! Se antes ela estava com medo, agora deve estar apavorada. Que ideia ridícula eu tive em ensiná-la a andar de moto, além disso, a areia da praia não é o melhor local para isso. Amaldiçoo-me internamente, até perceber com alívio, que seu corpo estremecido é devido a um ataque de risos.
— Você está bem? — sorrio para ela.
— Eu não deveria ter feito isso — sua mão pousa no ventre — Eu não pensei sobre os riscos.
Mas foi muito divertido.
— Chega por hoje — murmuro — Vamos, quero te mostrar outra coisa.
Coloco o capacete de volta em sua cabeça e acomodo-a atrás de mim. Abandonamos a praia e voltamos para cidade. Sigo para um bairro de classe média e casas simples. Paro próximo a uma casa pequena de dois andares.
Uma jovem loira e atrapalhada briga com o portão enquanto tenta firmar o telefone com os
ombros. De onde estamos, ela não consegue nos ver, e eu posso observá-la com tranquilidade.
— Às vezes eu paro aqui — murmuro, com pesar — Penso em tomar coragem e falar com ela.
— É a sua irmã não é? — sussurra ela, baixinho.
— Sabe que ela estuda engenharia? — murmuro, ignorando sua pergunta — Igual ao meu pai...
— E você — Demi toca meu rosto — É indisfarçável o orgulho em sua voz. Por que não fala com ela?
— Não é tão fácil assim — digo, seco — Eles me odeiam — respiro fundo — Odeiam minha
família e tudo que representa. Procurei-a uma vez, quis pagar seus estudos e ela se recusou. Mas se você soubesse como é brilhante. Se Kevin e minha mãe dessem o que lhe é de direito...
— E o que você fez? — murmura ela — Eu sei que não se deu por vencido.
— A universidade tem um ótimo programa de bolsas — rio, amargo — Eu só precisei ser bem
generoso com eles.
Demi me abraça forte, e ergo seu rosto para que me encare.
— É a única mulher que eu trouxe aqui Demi— confesso, num tom amargo — Esse sou eu, por inteiro. O melhor que consegui ser, apesar de tudo.
— Você é um homem bom, um irmão incrível — seus olhos estão úmidos, suas mãos guiam as minhas até a altura de seu estômago, pousando-as lá — Será um pai maravilhoso.
Não parei para pensar sobre crianças durante os últimos anos. As poucas vezes que conversei sobre isso, Sophie desconversava. Minha única certeza é que não daria o mesmo tratamento que meus pais me deram, regado à mentiras e manipulações. E hoje, a única mulher que vejo como mãe deles está a minha frente, com um sorriso lindo e acolhedor.
— Talvez um dia — murmuro, acaricio seu rosto. Não quero assustá-la com pensamentos como esse. Não sei nem como será nossa relação daqui para frente. Tudo que sei é que preciso dela em minha vida — Quem sabe um dia.
— Você não entendeu — diz ela angustiada — Eu...
— Chega de pensamentos melancólicos — coloco-a de volta na moto — A única coisa que
entendo, é que a quero nua em minha cama.
O seu olhar frustrado parece querer me dizer algo. Eu não quero ouvir algo como não estamos prontos para isso agora.
— Acho que aqui não é lugar de qualquer forma — sussurra ela, baixinho.
Haverá tempo para conversas, no momento, quero tê-la novamente e por toda a noite. Acomodo-me e vamos embora. Não há mais nada para fazer aqui.
Rimos e nos beijamos ao mesmo tempo. Nossas mãos ansiosas não param um segundo. Mal
consigo abrir a porta de casa. Demi briga com os botões da camisa e eu acaricio suas nádegas.
Beijo-a e gememos juntos alheios ao mundo ao nosso redor.
— Poupem-me dessa cena romântica.
— Kevin?
Ele está em meu sofá, um copo de uísque na mão e com um olhar debochado em nossa direção. O que ele faz aqui? Por que minha família sempre encontra uma forma de arruinar minha vida? InfernoÉ a última pessoa que gostaria de ver essa noite. E pelo seu olhar e expressão, a visita não é amistosa.

que lindos os dois juntos <3
agora sabem que o Joseph tem uma irmã e que não fala com ele.
Demi tentou contar à ele que acha que está grávida mas não deu certo.
 Kevin só aparecendo nas horas erradas, o que será que ele quer agora?
o que acharam? espero que tenham gostado.
até logo, bjs amores <3

26 de jun de 2017

for you: capítulo 14


Evento beneficente 

Sim! Sim! Sim! Foi o que respondi a ele. O que eu posso dizer para justificar essa mentira? Que estou cansada de ficar sozinha? Que eu quero um pedaço dele quando ele for embora? Que eu anseio por uma família, mesmo que fosse apenas eu e o bebê? Que meu filho sempre irá saber o quanto o amo e que nunca o abandonaria? E quando me perguntasse sobre o pai direi que foi um homem maravilhoso que amarei por toda minha vida.
Quando eu lhe disse que não poderia continuar a farsa, não foi por causa da promessa quebrada de não irmos para cama. Joseph havia cumprido a parte dele de só fazermos amor quando e se eu pedisse. Algo que eu praticamente implorei. Recordo-me disso muito bem. A forma que o ataquei naquele carro foi audaciosa demais, até para mim, não que eu me arrependo. Entretanto, o real motivo de querer me afastar dele é essa certeza de que a noite anterior nos marcou em algo que nos unirá por toda vida. Contudo, essa é uma decisão minha e não quero prendê-lo em algo que não optou.
Portanto, nenhuns dos argumentos que dei justificam o que fiz. Eu não posso continuar a
fazer isso com ele. Joseph jamais me perdoaria ainda mais agora, sabendo sobre seu pai e irmãos.
Mas não posso contar nada sem que eu tenha absoluta certeza.
Por enquanto, guardarei o cheque que ele me deu e mudarei com Jenny para o
apartamento. Depois do que aconteceu com Paul não há como ficar aqui. Se minhas suspeitas forem verdadeiras, e se Joseph não quiser fazer parte da vida do filho, usarei o dinheiro para recomeçar nossas vidas longe daqui. Parece que sempre estou partindo. Sempre estou deixando algo importante para trás. Só que dessa vez não estaria sozinha, e isso me conforta.
Preciso falar com alguém que me entenda que conheça a dor da solidão tão bem quanto eu.
— Que cheirinho bom — fungo o ar tentando decifrar o que ela está cozinhando — Que é isso?
Tento mexer nas panelas e recebo uma palmada com a colher em minha mão.
— Sai daqui.
— O que é? — tento olhar o caldo verde dentro da panela — parece nojento, mas o cheiro está divino.
— Sopa de ervilha com bacons — murmura ela — Já almoçou?
— Acho essa pergunta desnecessária.
Nós duas rimos. Eu sou incapaz de fazer um ovo frito. Quando muito, consigo preparar um chá, mas ele sempre fica fraco e adocicado.
— Eu acho que você é uma preguiçosa — provoca-me Jenny — Se quisesse mesmo aprender, o faria.
— Eu já tentei, Senhora eu passo, eu limpo e cozinho.
— E canto! Não esqueça.
— Insuportável — murmuro, mostrando a língua — Sabe que não sou boa com isso. A última vez, quase ateie fogo na cozinha.
— Acho que colocar o macarrão no fogo e pintar as unhas é uma combinação explosiva, além
disso, você não tem olfato?
— Você disse, cozinhar por alguns minutos e eu estava gripada — defendo-me.
— Eu disse, alguns minutos e não quase uma hora — ela balança a mão como se abanasse o ar — Esquece, você é péssima mesmo.
Sim, não funciona para mim. Nada relacionado à casa e afazeres domésticos. Deus! Eu sou uma dondoca, só que falida.
— Como você está? — sento em um banco em frente ao balcão que divide a cozinha e apoio meus cotovelos nele, enquanto minhas mãos sustentam meu queixo.
— Ótima — responde ela voltando para o fogão — E você?
— Tão bem quanto você — suspiro — Então, acho que somos duas mentirosas.
Instala-se um longo silêncio quebrado vez ou outra pelos utensílios que Jenny utiliza. Eu tento encontrar as palavras certas e uma forma de chegar ao assunto. Jenny, é minha amiga e mesmo que possa achar que o que eu fiz seja errado, me apoiará em tudo, mas ainda assim, é muito difícil falar sobre isso. E eu me pergunto como será contar ao Joseph?
— O que acha de ser titia? — pergunto sem rodeios.
Ploft. O lindo copo cai no chão estilhaçando em milhares de pedaços.
— O que?
— Surpresa! — dou um sorriso amarelo — Acho que eu estou grávida.
— Que brincadeira mais idiota, Demi! — ela se abaixa para cuidar dos cacos de vidro.
— Não é brincadeira — digo, séria — Há uma grande possibilidade de isso venha acontecer.
Após jogar os cacos no lixo ela se volta para mim com expressão confusa.
— Você está ou não grávida? — Jenny me encara com a testa enrugada — Acho que isso é um
assunto sério.
— Sente-se — puxo um banco para ela — A história é longa.
Como eu previa, Jenny não aprovou a decisão que tomei, mas me apoiará em todos os momentos, assim são os amigos. Eu não esperava menos que isso. Eu só tenho que encontrar uma forma de contar ao Joseph. Agora, pesando com certa clareza, eu havia sido muito egoísta. Foi uma decisão minha, mas que o afetará para sempre também. Droga!

***

No dia seguinte, fomos ao apartamento que ele havia alugado para mim, nas mediações de
Manhattan. O apartamento é muito bonito, mas nem se compara ao dele. Há uma sala espaçosa que terei que arrumar para que Jenny não encontre muitos obstáculos pelo caminho. A cozinha é o dobro da nossa, em estilo americano, com um enorme balcão, que sei que Jenny irá amar. Os quartos são bem aconchegantes, com camas enormes e paredes em tons pastéis. As mobílias entre o branco e negro. Tudo simples, mas muito elegante. Eu amei cada pedacinho e gostaria que Jenny pudesse ver também.
— É tão lindo, e a cozinha é maravilhosa — abraço-a pela cintura — Há um banheiro em cada quarto e os chuveiros funcionam. — Não será muito caro?
Eu não contei que o aluguel está sendo pago por Joseph. Jenny ficaria desconfortável, não
aceitaria vir comigo e eu não posso deixá-la sozinha. Parece que estou me tornando uma mentirosa compulsiva.
— Eu vou ajudar com o aluguel — diz ela apreensiva — Tenho algumas economias e...
— Façamos o seguinte; Eu cuido do aluguel, e você faz as compras e cozinha.
— Não acho que seja justo — murmura, indignada — Faço as compras, cozinho e ajudo com o aluguel.
Não adianta eu tentar argumentar com ela. Jenny é teimosa demais quando quer. De alguma forma devolverei o dinheiro a ela depois.
— Combinado — conduzo-a até a saída — Podemos nos mudar amanhã. O que acha?
— Está perfeito para mim.
Pela primeira vez vejo empolgação em sua voz. Acho que agora ela se sente mais segura e feliz por deixar para trás, todas as lembranças ruins que nosso antigo lar nos causou, principalmente por deixar para trás, as lembranças causadas por um moreno lindo.
A noite, como prometido, meu celular toca e eu escuto a voz grave e sedutora. O alívio que
Joseph sentiu, ao saber que mudaríamos no dia seguinte foi-me perceptível.
— Então, ainda somos noivos?
— Por quanto tempo ainda? — pergunto, com a voz tensa e trêmula.
— Um ou dois meses — responde ele, de forma evasiva. Ouço-o inalar fundo e falar com certa indecisão — Talvez menos... Eu não sei quanto tempo ainda preciso.
— Dois meses — protesto — Não mais que isso.
— Isso quer dizer que terei que ser rápido com você.
A frase me pareceu estranha. Rápido com o que? Afasto tal pensamento, com certeza é minha mente querendo me pregar alguma peça.
— Quando você volta? Não que seja da minha conta... — coloco certo desinteresse na voz, que até para mim soa falso.
— Acho que na quinta e... — ele começa, com hesitação — Minha mãe realiza um evento
beneficente todos os anos, para um hospital infantil. Será na sexta e gostaria que fosse comigo. Pretendo apresentá-la como minha noiva, oficialmente.
— Certo — sussurro — Estarei lá.
— Entregarão um pacote na quinta, é da mesma loja do outro dia...
— Não acho que seja necessário, o dinheiro que me deu é o suficiente para...
— Surgiu algo urgente — ele se afasta do telefone e fala com alguém — Não posso continuar
falando. Vejo você na sexta.
— Mas...
Desligou. Nenhum telefonema antes de sexta? Por que deveria me importar? Nosso noivado é uma farsa e tenho que ter isso em mente.
***

Hoje é quarta, dia de mudança. Não uma grande mudança realmente. Doamos todos os nossos móveis de segunda mão, para um bazar de caridade nas remediações. Não precisaríamos de mais nada, além de nossas roupas, mas os móveis seriam úteis a alguém mais necessitado. Paul, me ajudou a deixar o apartamento adaptado para Jenny, e foi um arrasta móveis por todos os lados. Nós nos divertimos um pouco sempre que ela esbarrava em uma coisa ou outra em busca de mapear cada cômodo. Em troca, recebemos o castigo de andar pela casa com vendas. Foi divertido como brincar de cabra cega. No final, nós a elogiamos muito por sua incrível capacidade de se adaptar a diversas situações. Eu tenho muito orgulho dela.
— Com o tempo, fica mais fácil — ela sorri envergonhada — Parece fácil porque eu lido com
isso há anos.
— Temos que comemorar — Paul pula do sofá onde estávamos — Será que o vinho está gelado?
— Eu prefiro suco de laranja...
— Ah, não vai desprezar o meu vinho — diz ele ofendido — Gastei uma fortuna com ele.
Enquanto preparo as bebidas, peça as pizzas.
— Eu posso cozinhar — Jenny estica o pescoço para ele.
— Nem pensar. Hoje é dia de festa — rebate Paul.
Jenny se volta para mim com expressão de encorajamento.
— Por que não conta a ele? — indica Paul com a cabeça. Que está concentrado, tentando abrir pateticamente a garrafa de vinho.
— Ainda não posso.
— E quanto a Joseph?
— Vou contar na sexta depois do evento.
E que Deus me ajude, essa não será uma tarefa nada fácil. Temo pela reação dele.
Na quinta, um homem uniformizado entrega-me uma embalagem de uma das melhores joalherias da cidade. Há duas caixas; uma grande e quadrada com um magnífico colar de prata com diamantes, gemas coloridas e pingente em forma de coração, brincos delicados completam o conjunto. Na caixa menor, há um extravagante, mas não menos extraordinário anel quadrado de brilhantes, rodeado por uma fileira dupla de diamantes em cravação grão e uma faixa de diamantes que acentua a magnificência da peça. Exagerado demais para meu gosto, mas com certeza, feito para impressionar.
Sem dúvida, uma joia que faria Marilyn Monroe chorar de emoção. Afinal, Diamonds são os
melhores amigos das mulheres não é?
Eu prefiro algo mais simples e delicado como o colar. Como isso é uma farsa, então está tudo
bem. Exceto, claro, pelo medo que terei de andar com ele por aí. Definitivamente, só ficará em meu dedo em eventos como esse. Jamais terei condições de pagar um anel como esse, nem que trabalhe por mil anos.
Duas horas depois, outro entregador aparece com um lindo vestido nude de chiffon de seda
drapeado, bustiê com corpete interno e fecho de correr escondido, com assinatura de Alexander MQueen. Em uma das caixas está um par de sandálias nude de cristal Swarovski Danielle Benício. Anexado ao vestido uma nota com uma caligrafia que eu já conheço.
Que você brilhe ainda mais,
Joseph
***

Sexta feira, por volta das cinco horas, tomo um longo banho, às cinco e meia um motorista me espera em frente ao prédio com destino a um salão de beleza exclusivo. De acordo com a
recepcionista, no pacote está incluso unhas, cabelo, maquiagem, depilação e até mesmo massagem para relaxar os músculos. É tudo tão irreal e maravilhoso que me belisco várias vezes para ter certeza de que não estou sonhando.
— Está maravilhosa Srta. Lovato — diz o maquiador, virando minha cadeira para o espelho.
Senhor! Eu desconheço a garota a minha frente. Sempre me congratulei dos meus talentos com a maquiagem, mas o que Drew, havia feito em meu rosto, é digno de Oscar. Acentuou meus olhos com uma mistura de cores entre o preto, cinza e prata, dando ao meu rosto um olhar dramático, mas elegante. Os cílios haviam sido alongados de uma forma natural que jamais imaginei ser possível. Nos lábios, um batom rosa fosco e completando a obra um levemente toque de blush.
Meus cabelos estão presos de lado e largos cachos caem sobre meus seios. Não há um fio fora do lugar e estou impressionada.
— Isso é incrível — eu balbucio — Estou irreconhecível.
— Você já é naturalmente linda querida — diz ele, sorrindo — Seus olhos são um arraso. Essa
boca de dar inveja a Angelina e que pernas. Já pensou em ser modelo?
— Acho que estou velha demais para isso — sorrio, nada convencida com os elogios dele.
Afinal, Drew é um profissional da beleza, é natural que queira levantar minha alta estima.
— Fique com meu cartão caso mude de ideia — murmura ele, com pesar — Conheço muitas agências e sempre estão à procura de rostos como o seu.
— Está falando sério?
— Seríssimo — diz Drew, com olhar ofendido — Quando digo que uma mulher é bonita, eu não minto.
— Certo — guardo o cartão na bolsa — Eu agradeço.
Olho para o espelho pela última vez analisando o conjunto da obra e me sinto satisfeita.
Às sete horas, estou pronta e andando de um lado a outro da sala. A campainha toca, e minhas pernas tremem como gelatina. Faz seis dias que não o vejo e meu coração está prestes a sair pela boca.
A campainha soa novamente, e me esforço em caminhar até a porta. Eu não estava preparada para a visão impactante. Em um terno cor de chumbo e gravata prata, está o homem mais perfeito do universo. Se eu já não estivesse apaixonada por ele, esse seria o momento, na realidade, acho que me apaixonei novamente.
— Olá — diz ele. O ombro contra a porta, os braços cruzados e um sorriso preguiçoso no rosto
— Está linda. Parece que o anel serviu.
— Sim — olho para o anel em meu dedo —É muito caro também, não acha?
— Não gostou? — diz ele, interessado.
— Extravagante eu diria, mas é lindo — murmuro — E essas joias? Tremo só em pensar em
perdê-las. Com certeza gastou uma fortuna com isso.
— São alugadas.
— Ah... Claro que tolice a minha. Então eu terei que ser ainda mais cuidadosa. As roupas também são?
— Claro que não Demi — murmura — Daria a joias se acreditasse que aceitaria.
Parece que ele me conhece melhor do que imaginei. Não haverá problemas em ficar com as
roupas. É um investimento não é? Mas a joias, seria demais, de nenhuma maneira eu aceitaria, por mais tentada que estivesse. Se exijo que ele não me trate como uma vagabunda, não posso agir como uma, aceitando presentes caros, se bem que, roupas de grife não estão muito longe disso.
— Quer entrar? — pergunto vacilante. Nem sei como saiu algum som da minha garganta
ressequida.
— Não acho que seja uma boa ideia — diz ele numa voz rouca.
Minha nossa senhora das virgens e inocentes. Esse olhar é capaz de me fazer ter orgasmos
múltiplos. A forma com que ele morde os lábios enquanto me examina de cima a baixo, faz com que um ponto entre minhas pernas pulse tortuosamente.
— Além disso, estamos um pouco atrasados, o evento começa às sete e meia.
— É melhor irmos então — respiro fundo, antes de ir pegar a bolsa de mão — Não queremos sua mãe nervosa antes do tempo, não é?
— Com certeza não — responde ele, sorrindo.
Chegamos ao evento, e há um número considerável de fotógrafos na porta. Eu nunca vi tantos deles e isso me deixa nervosa. Há até mesmo, um programa de TV cobrindo a noite. Uma coisa, é você ver os ricos e famosos pela televisão. Outra bem diferente, é estar no mesmo ambiente que eles.
— Sorria — diz Joseph, divertindo-se com minha apreensão — Está sendo filmada.
— Engraçadinho — belisco sua cintura, disfarçadamente — Acho que vou fazer xixi.
A risada dele é tão contagiante e espontânea que todos nos olham curiosos em saber o motivo de tanta alegria.
— Demi... — ele tosse para controlar o riso — É a única mulher capaz de me fazer rir em um
evento tão chato como esse.
— Fico agradecida de ser a palhaça da festa.
Não tenho a chance de ouvir sua resposta, pois uma mulher com um microfone se coloca a nossa frente.
— Boa noite Sr. Jonas — cumprimenta ela cheia de olhares para ele — Quem é essa linda
jovem?
— Minha noiva — ele sorri para a câmera — Demi Lovato.
— Interessante — ela vira o microfone para mim — Como se sente, sendo noiva de um dos
homens mais disputados da noite?
— Bem, eu acho — respondo, com sorriso forçado.
— Com licença, mas temos que entrar — Joseph me livra dessa situação embaraçosa.
— Bem, Nova Iorque, parece que os grandes partidos dessa cidade nunca ficam sozinhos por
muito tempo, se vocês se lembram...
Somos conduzidos a nossa mesa e não ouvimos o que a jovem estava dizendo.
Kevin, já está sentado em uma cadeira ao lado da minha e me lança um olhar dissimulado. Ao seu lado está a esposa muito bonita em um vestido branco. Danielle, me lança um sorriso amigável, que eu devolvo com sinceridade. Em frente a nós, há duas cadeiras vazias, na qual uma delas imagino ser da Sra. Jonas. Nesse momento, ela sobe ao palco para os agradecimentos.
Não há dúvida que seja uma mulher bonita e elegante. Os filhos tiveram a quem puxar. A
desenvoltura e elegância com que ela fala também é impressionante, sua sagacidade e inteligência são notáveis.
— Preparada? — diz Joseph, em um tom divertido.
— Rufem os tambores.
Antes de iniciar o jantar, ouvimos os agradecimentos dos diretores do hospital, segundo eles, a noite havia arrecadado mais de um milhão de dólares em doações. Eu fico feliz que os exibicionistas aqui, tenham gasto um pouco de seu dinheiro com a caridade. Já que se reunirmos todas as joias reluzentes nessa sala, poderíamos obter o triplo disso.
Quinze minutos depois, ao som dos aplausos, ela caminha entre as mesas e eu noto uma loira acompanhando-a. Não acredito que aquela descarada tenha tido a cara de pau de aparecer aqui. As duas sentam em frente a nós à mesa. A mãe de Joseph cumprimenta a todos, exceto eu, em uma clara declaração de guerra. Retiro o que eu disse. Não há elegância nela, apenas uma amargura irritante e falta de educação. Sua pupila ou animalzinho de circo, repete a atitude mal educada.
— O salão está muito lindo — digo a ela — Não é mesmo querido?
— Sim. Minha mãe sempre nos surpreende. Não é mesmo mamãe?
Tome essa, velha nojenta. Quero ver se irá ignorar o filho como faz comigo?
— Apenas me cerco de pessoas importantes, que tem algo a oferecer — alfineta ela — E se há
alguém que merece todos os elogios é Sophie. Fez tudo praticamente sozinha, sabe como anda minha saúde meu filho. Com tantas preocupações e desilusões da vida.
Caramba, essa mulher é osso duro de roer. E a oxigenada, se desmancha para Joseph como
sorvete em dia de verão. Se ele fosse mesmo meu noivo, eu desmancharia o sorriso idiota dela, com dois tapas certeiros. Vagabunda sem noção!
Após algumas alfinetadas daqui e ali, o prato principal é servido e eu entro em pânico. Que tipo de comida precisa de uma pinça ou algo parecido?
— O que é isso? — sussurro, para ele.
— Escargot — responde Joseph, com naturalidade.
Blah. Lesma, droga eu já vi esse filme. Em, Uma linda mulher, Julia Roberts arremessa longe um negócio redondo e nojento parecido com esse.
— Eu não sei comer isso — sussurro, novamente — Na verdade não sei nem se quero comer.
— Relaxe e apenas me imite — diz ele, alisando minha perna por debaixo da mesa. O gesto foi apenas para me acalmar, mas teve o efeito contrário. Um calor enorme sobe pelo meu corpo.
— Algum problema, querida? — pergunta a mãe dele, com gentileza fingida. Fica claro para mim, que o que ela quer é me ridicularizar, na frente de todos.
— Não senhora — sorrio falsamente para ela.
Sinto-me como em guerra de titãs. Eu vou comer essa lesma nojenta, nem que depois eu passe a noite toda vomitando. De jeito nenhum eu vou dar o gostinho a essas duas de me ver em pânico. Pego a maldita pinça e tento seguir os gestos de Joseph, com cuidado. Apesar de escorregadia, e minhas mãos estarem trêmulas, eu consigo comer sem passar vergonha. O gosto também não é ruim, apesar da aparência gosmenta.
A cada prato, há uma comida refinada ou exótica. Coisas que nunca havia visto na vida. Minha sogra quer provar a Joseph, para mim e, todos os presentes, que eu não me encaixo em seu mundo perfeito, com pessoas perfeitas.
Diana é uma verdadeira bruxa, como havia imaginado, talvez pior. Em outro momento eu a
colocaria em seu devido lugar, mas não posso fazer isso com Joseph. Além disso, não sou mal educada, apenas sincera e às vezes impulsiva, mas mal educada, jamais.
Com certeza, Kevin contou o aconteceu na casa dele, e a megera está me provocando. Testando meus limites para saber até aonde eu vou. Pois está redondamente enganada se pensa que vou me curvar às suas armações. Mostrarei a todos quem é a verdadeira dama aqui. E as duas víboras não estão incluídas no quesito dama.
Após o jantar, fomos para um salão onde haverá um baile. Aos poucos, alguns casais vão para a pista de dança enquanto outras pessoas fazem grupos de conversa.
Caminhamos por alguns até que Danielle nos vê e, exige nossa presença. Por educação, não temos como evitá-la.
— Joseph querido... — Sophie agarra o braço dele como se eu não estivesse do outro lado —
Estava lembrando à sua mãe, a última festa na casa do governador...
— Como poderia esquecer — a mãe dele sorri para ele me ignorando, de novo — Toda
sociedade esteve presente. Pessoas de classe e elegância.
— Não me lembro — Joseph se desvencilha de Sophie e me abraça — Deve ter sido muito
aborrecida. Mas se você estivesse lá teria sido perfeita.
E ele ainda seria noivo, não tenho como não me atentar-me a esse detalhe. Será que teríamos sentindo a mesma atração da primeira vez que nos vimos? Ele toca meus lábios com delicadeza e sinto-me nas nuvens.
Os olhares de ódio em minha direção são tão intensos, que penso em fazer um banho aromático assim que chegar a minha casa. A situação está mais para ridícula do que tensa.
— Joseph eu acho que o senador Baker está chamando — diz Diana, apontando outro grupo
próximo ao bar — Deve ser algo importante.
— Não acredito, e hoje não é uma noite para falar de negócios mamãe — responde ele de forma sarcástica, mas os olhos fixos em mim. Os dedos fazendo uma leve carícia em eu pescoço, deixando-me zonza — Afinal, é uma festa para caridade ou me enganei?
— Querido, a ocasião faz o ladrão, não concorda Srta. Lovato? — ela olha para mim, com
inocência fingida — E Kevin me disse que há um problema com a prefeitura em um dos projetos no centro da cidade, talvez o senador possa ajudar. Não se preocupe que cuidaremos de sua amiga.
— Noiva... — ele replica.
— Pode ir querido — interrompo-o, alisando sua gravata — Ficarei bem.
Ele me encara com dúvida. Joseph sabe o que a mãe pretende, e teme em me deixar nas mãos dos tubarões. Derreto-me com sua preocupação comigo.
— Tem certeza?
O que elas poderiam fazer contra mim, na frente de tantas pessoas? Na verdade, a pergunta
deveria ser o que eu posso fazer contra elas.
— Não se preocupe — sussurro para ele — Não há uma piscina aqui.
— Deus nos proteja — ele brinca, antes de ir.
Assim que ele sai, acompanhado do irmão esnobe, eu encaro os dois pares de olhos devoradores.
— Então você... — Diana me encara de cima a baixo, com olhar enojado — É a fulana que
enfeitiçou meu filho? Um rapaz que sempre foi muito sensato.
— Eu não diria enfeitiçar, mas é uma boa definição do que o amor faz com as pessoas. Quanto à insensatez, todos precisamos de uma dose de loucura de vez em quando. Não concorda, Sophie?
Ela faz cara feia e desvia o olhar de mim. Engulam essa, najas. Como é provar do próprio
veneno?
Aproveito que um garçom passa por ali e pego uma taça de champanhe. Preciso ter algo em
minhas mãos... para controlar a vontade de enfiar a mão na cara delas.
— Não sonhe com sinos e marchas nupciais Srta. Lovato, pois logo esse disparate terá um fim — diz Diana, lançando-me um olhar de ódio — Eu não permitirei...
— Isso é engraçado — interrompo-a e tomo um gole do líquido borbulhante. — Não me lembro de termos pedido autorização alguma?
— Petulante!
— Vou aceitar como um elogio — ergo a taça para ela.
— Queridas, eu vou até a varanda — diz ela para Sophie e uma Danille que assiste tudo, com uma expressão incrédula — O ar aqui está um tanto pútrido.
— Logo me unirei a você — diz Sophie, com calma.
Se há uma coisa que devo aprender com elas é não perder a pose. Se a naja um, pretende me
provocar um pouco mais, depois que a dois sair, ela vai ver o que a espera. Ah! Ela que tente.
— Olhe Demi, já que vai se casar com Joseph, quero que sejamos amigas — diz Danielle, com
certo nervosismo — Eu não tenho nada a ver com isso e...
Ainda não sei se ela está sendo sincera ou se faz parte de algum jogo. Estudo-a sem conseguir chegar a alguma conclusão.
— Não seja ridícula, Danielle! — diz Sophie, com a voz um tanto elevada — Não vai querer
manchar sua reputação ao lado dessa prostituta. Fique sabendo que ela trabalha em um clube de stripper, com certeza Joseph paga para tê-la embaixo dos lençóis. Isso é óbvio. Ele está apenas nos provocando com esse noivado absurdo. Não vai demorar muito para ela sair de nossas vidas. Tão rápido como entrou.
— Poderia até ser paga para ir para cama com ele, felizmente, não é o caso. Se sou uma prostituta em qual classificação se enquadraria? Pega na cama com outro, como uma cadela no cio — olho-a com desprezo — Tem visto seu amante, Sophie? Espero que sim, pois eu não tenho a menor pretensão de ir embora. Ao contrário de você, eu sei manter um homem como Joseph entre os lençóis.
Com essas palavras eu deixo-a, muda e atônita. Ela almejou ao me atacar, que eu fizesse um
escândalo, para assim, poder me ridicularizar na frente de todas as pessoas. Não vou cair em sua pilha e dar esse gostinho a ela, eu sei como agir, e no momento certo. Agora, eu vou ficar ao lado do homem mais lindo dessa festa. E me exibir para que todas vejam que ele é meu. Inclusive, a cascavel que se contorce nos braços de Danielle. A guerra tinha começado e a vitória tinha sido minha. Viva, viva!
— Tudo bem? — pergunta ele, apreensivo.
O olhar caloroso com que ele me recebeu e a forma como me prendeu em seus braços, foi o
suficiente para afastar toda tensão anterior e trazer um sorriso em meu rosto.
— Tudo ótimo — tranquilizo-o.
— Senador, eu quero que conheça minha noiva — diz Joseph, com enorme sorriso — A Srta.
Lovato.
O homem me olha com certa curiosidade e sorri. David Barker é um homem por volta dos
quarenta e poucos anos. Cabelos negros, com fios platinados, olhos castanhos e, bonito. Havia feito uma campanha memorável e apesar de jovem e solteiro para o cargo de senador, venceu seu maior concorrente em larga vantagem.
— Desculpe minha indiscrição, mas não era uma loira?
— Não deu certo... — Joseph dá de ombros — As coisas mudam.
— É um prazer conhecê-lo senador — murmuro, para livrar Joseph do constrangimento inicial
— Eu gostei muito de sua plataforma de campanha. Fiquei muito feliz quando foi eleito. Suas ideias para geração de emprego e incentivo estudantil me cativaram bastante.
Não estou mentindo para impressioná-lo. As ideias e projetos dele são interessantes ao meu ver.
— Bonita e inteligente — diz David, batendo nos ombros de Joseph — Fez uma ótima troca Jonas. Segure-a Joseph.
David pisca um olho para mim.
— Mulheres como essa, não ficam soltas por muito tempo. Você é um homem de sorte.
— Eu sei disso — Joseph me prende ainda mais contra seu corpo e alisa meus ombros.
A conversa seguiu por mais alguns minutos. Dancei com o senador, já que a acompanhante dele havia faltado se é que havia uma.
— Vamos embora? — pergunta Joseph, ao finalizarmos outra dança, após inúmeras da noite — Deve estar cansada. Não sei como ainda não está reclamando dos saltos como todas as mulheres fazem.
— Convido todas as mulheres a dançarem de salto alto, seis dias por semana, para ver se haverá alguma queixa.
— Não foi fácil, não é? — ele me encara com carinho — Sua vida. O clube.
— Não foi — murmuro, enquanto ele me embala ao som de outra música — Mas me sustentou por um longo tempo.
— Deve se orgulhar disso, Demi — leva minhas mãos aos seus lábios — Eu me orgulho. Você é forte, corajosa, linda.
A sinceridade em suas palavras me comove. Eu não havia crescido em um berço de ouro como a maioria das mulheres presentes. E nem tive uma vida fácil, mas nada disso me torna inferior, pelo contrário. Sou uma lutadora e fico emocionada que ele enxergue isso em mim.
— Vamos?
— Sim. Deixe-me apenas aproveitar essa música um pouco mais.
A forma como ele me prende em seus braços e deslizamos pela pista de dança, me faz sentir em outra dimensão. Há só nós dois ao som da música suave, enquanto nossos corpos se encaixam perfeitamente. Nada pode ser mais perfeito que isso. É o meu baile, meu dia de princesa. Afinal, todas as garotas merecem um dia assim, ao lado de seu príncipe, não é? Por hoje eu fingirei que isso é real e guardei essa noite perfeita na memória, como as outras.

***

— Joseph?
— Oi, Liam — os dois se abraçam e ele olha ao redor — Peter e Adam também vieram?
— Não — responde Liam, com olhar interessado em mim — Sabe como eles amam sua mãe e o sentimento é recíproco.
Pela forma que ele fala, os tais amigos detestam a Diana e só por isso eu já os adoro.
— Eu só vim por causa do hospital e vejo que estou muito atrasado. Mas quem é essa jovem
linda?
— Demi, é minha noiva — Joseph nos apresenta, sinto algo como orgulho em sua voz — Demi,
esse é Liam, um grande amigo.
— Prazer — estendo a mão a ele, que leva aos lábios, em um galanteio.
— O prazer é meu, pode acreditar.
— Como está Nicole, sua noiva? — Joseph me puxa para ele.
— Marcando território hem? — ele sorri — Nicole está em Milão.
— Se eu fosse você, pararia de paquerar a noiva dos outros e cuidaria da sua, solta por aí.
— Joseph! — olho feio para ele.
É um ator maravilhoso, quem visse acharia que está mesmo com ciúmes de mim.
— Golpe baixo, Jonas — sorri Liam — Vou pensar sobre isso. Até logo Demi, minha noite não será tão interessante sem sua presença.
Ele se afasta e Joseph prende-me a ele.
— Minha noite não será tão interessante sem sua presença — Joseph imita-o de forma
engraçada — Idiota. Vamos.
O caminho de volta não houve o clima cheio de tensão como na ida. Também não há o clima cheio de desejo como das outras vezes. É claro, que nossa pele arde por um toque, um beijo, mas há uma certa magia que transforma essa noite em nada menos que perfeita. Estamos em um encantamento.
— Não quer subir? — pergunto, após digitar o código de segurança — Jenny não está em casa. Quer dizer... Está no trabalho e você não precisa...
— Acho melhor não — diz ele, com dificuldade — Eu quero agir de forma correta, dessa vez.
Maldita hora em que eu havia colocado aquela regra idiota sobre sexo! Eu morri pela minha
própria boca. Mas tanta coisa havia mudado desde que tive essa ideia absurda. Começando por essa criança que pode estar crescendo em meu ventre.
— Nós precisamos conversar, Joseph — digo a ele.
Ele encosta-me contra a parede e esfrega o corpo no meu. A ponta do nariz desliza pelo meu
pescoço, seu membro me cutuca e eu gemo.
— Não me tente Demi — afasta-se de mim com um gemido frustrado.
— Mas eu...
— Posso sequestrá-la amanhã? — pergunta ele, meio tímido.
— Outro trabalho? — não me lembro de termos combinado algo para o dia seguinte.
— Se eu disser apenas nós dois? — pergunta ele.
— Um encontro? — sussurro, com o coração disparado.
Ele me encara por alguns segundos e coloca uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.
— Sim. O que me diz?

Demi rachando a cara da Sophie, adorei hahaha
essa mãe do Joseph é muito chata af
finalmente eles irão ter um encontro decente, eles já estão apaixonados <3
 demi está grávida? será que ela vai contar ao Joseph? só nos próximos capítulos saberão hahaha
o que acharam? espero que tenham gostado.
até logo, bjs amores <3
respostas do capítulo anterior aqui