24 de mai de 2017

for you: capítulo 5


Desejo

Eu nunca me senti tão nervoso perto de uma linda mulher antes. Nem mesmo quando tive que convidar uma garota para o baile da escola pela primeira vez.
Agora, estou diante da mulher mais sexy e linda que já vi na minha vida e minhas mãos e pernas tremem como vara verde e um desejo incontrolável toma conta de mim.
Não é qualquer tipo de desejo. Não é aquela necessidade física que já tive antes, vai
muito além. É muito mais do que carnal. Eu quero mais do que seu corpo. Eu desejo sua alma. Parece uma coisa assustadora de se dizer, mas eu preciso estar tão profundo dentro dela como o ar para sobreviver. Isso não é uma coisa normal, eu sei.
E há algo dentro de mim que me alerta de que essa mulher é um perigo. Uma bomba relógio prestes a explodir. Entretanto, não há nada que eu possa fazer, eu a quero muito e vou tê-la. Nada me impedirá de sucumbir a esse desejo louco. Se para conhecer o céu eu tivesse que aderir ao inferno, então, eu dou boas-vindas ao demônio. E esse demônio que me escraviza, é uma linda morena que vem perturbando os meus sonhos da forma que nenhuma outra já fez. 
Estamos em meu apartamento, no banheiro, para mim minúsculo. Sentindo o algodão
umedecido, deslizando pelo corte em meu olho. Quero olhar em seus olhos e ver se há refletido a mesma necessidade que me incendeia o corpo. Mas eles estão fixos em meus lábios, seus longos cílios negros me provocando, me instigando ao proibido. Os dedos trêmulos tocam lentamente a ferida adquirida recentemente, através de uma inesquecível e prazerosa briga de bar. Eu gemo ao sentir seu toque. O volume entre minhas calças está prestes a explodir.
— Doí? — sua voz enrouquecida me faz enlouquecer.
— Muito — respondo, referindo-me ao desejo que vem me afligindo desde o dia anterior.
Esfrego-me contra ela na esperança que o simples contato possa aliviar a pressão. Nunca me senti tão potente e meu membro nunca esteve tão rijo e desesperado por alívio como agora. O frisar é delicioso demais para que me contente apenas com isso. Trespassando de meu conhecido alto controle pressiono-a contra parede. Puxo seus cabelos para ter contato com seus olhos. Testemunho o brilho indecifrável em seus olhos.
Inferno de mulher!
Ela é completamente deslumbrante e eu poderia ficar ali por longas e longas horas, absorto nessa imensidão .
— Eu quero você Demi! Porra como eu quero! — com essas palavras, uno meus lábios aos dela. Foi o meu erro e minha perdição ao mesmo tempo. Imaginar como seria sentir seus lábios sobre os meus é incomparável com a realidade desse momento. Eles são doces, macios e quentes. Não foi um beijo carinhoso, mas um beijo explosivo e carregado de um desejo carnal imensurável. Nossas línguas duelando com tamanho furor, que nos deixa sem ar por alguns segundos. Não me importo, à última coisa em que estou preocupado é em respirar.
— Joseph eu não acho que...
Volto a beijá-la para afastar todo receio que vejo em seu olhar. Não é hora de pensar. O que sentimos é forte demais para qualquer pensamento que não seja essa necessidade que nos envolve.
— Apenas sinta Demi — seguro sua mão e deslizo até meu membro pulsante. — Estou
explodindo. Estou ardendo por você.
O toque de sua mão me acariciando levemente me faz sentir vontade de me contorcer. Por incrível que pareça, fico mais duro do que já estava antes. Ouço-a gemer e mordo levemente seus lábios inchados por meus beijos. A porra daqueles lábios ainda irá deixar-me ensandecido. Lábios vermelhos, carnudos e em forma de coração que me imploram para serem devorados.
Sem parar de beijá-la passeio minhas mãos por seu corpo, explorando cada centímetro. As curvas são suaves, mas torneadas. Agarro seus seios e provoco seu mamilo intumescido. Ela geme e o som é a mais perfeita melodia para mim.
Resvalo a outra mão por seu corpo e introduzo meus dedos dentro de sua calcinha minúscula, eles deslizam em sua umidade, que evidencia o quanto ela também está excitada. Acaricio sua intimidade lisa, o líquido morno molhando meus dedos, lubrificando-o. Ela se contorce e eu gemo.
Escorrego meus lábios por seu pescoço, seios e ventre. Seguro a barra do vestido e subo-a lentamente. Literalmente minha boca saliva com a visão das pernas longas e torneadas. O pensamento de ter essas pernas ao redor de minha cintura me vem à cabeça como vem acontecendo desde que a vi dançando no mastro de pole dance.
— Lindas — sussurro, acariciando sua coxa com a mão livre, enquanto minha outra mão se mantem ocupada em seu clitóris.
— Joseph... — ela geme meu nome. O corpo contorcendo ao meu toque.
Colo meu nariz em seu monte de Vênus e sinto seu cheio embriagador, cheiro de mulher, mas principalmente cheiro de Demi. Mordo meus lábios imaginando se o gosto é tão delicioso quanto seu perfume, passo a língua por cima da calcinha molhada, provando seu gosto e num gesto impensado, rasgo o tecido e minha língua toca sua pele quente.
— Você rasgou minha calcinha? — Demi me olha com surpresa e desejo ao mesmo tempo.
— Pensei em rasgar sua roupa desde a primeira vez que a vi — respondo com ênfase. Passo um dedo de sua fenda molhada até o clitóris, desafiando-a com olhar — Compraria um milhão delas, pelo prazer de rasgar novamente.
Toco-a intimamente com os lábios, deliciando-me com seu gosto. Ela geme, eu estremeço. Ela grita, eu enlouqueço.
Passo a língua no clitóris como se quisesse tirá-lo do manto que o protege, faço um desenho de um oito, repito esse movimento várias vezes. Eu testo uma variação de movimentos e vejo pela sua reação qual aprecia mais e volto a repetir. Deleito-me com sua umidade plena e aumento a velocidade e pressão.
— Aonde você aprendeu a usar essa língua? — ela sussurra, quase sem ar, agarrada aos meus cabelos — Oh, céus!
— Tenho lido alguns romances femininos. Não é meu gênero, mas se aprende algumas coisas, neles eu sei o que as mulheres querem — digo, sorrindo da minha própria arrogância e minha boca nervosa volta à ação.
— Sim, você sabe — ela treme em meus braços, geme e choraminga ao mesmo tempo — Ai, caramba!
Introduzo um dedo dentro dela, começo com a pontinha do indicador, tirando e colocando até introduzi-lo completamente. Vejo-a se movimentar em torno de meu dedo, de seus lábios saem sons enrouquecidos. Introduzo outro dedo e começo a trabalhar com eles sem parar os movimentos com a língua em seu clitóris. Faço novamente o movimento de um oito dentro dela, alterno com movimentos em sua parede vaginal como se chamasse alguém. Misturo todas as técnicas por cerca de dez a vinte segundos cada uma.
— Joseph.... Joseph — Demi geme se contorcendo, enquanto noto seu corpo dar pequenos solavancos. Pressiono-a mais contra parede para que não caia e vejo-a gozar deliciosamente em minha boca e dedos.
Alguns segundos depois eu volto a ficar face a face com ela. Livro-a de seu vestido. Ela está sem sutiã e os mamilos saltam aos meus olhos, duros, firmes e tentadores. Não são enormes, mas também não são pequenos, para meu deleite é na medida certa para minhas mãos.
— Cem dólares? — pergunto ao ver uma nota cair no chão junto ao vestido — Você merece mais do que isso.
— Não é o que está pensando — ela parece indignada — Esse dinheiro...
— Tudo bem Demi — murmuro, entre seus lábios — Sem julgamentos.
— Mas... — selo seus lábios com beijos ardentes e volto a me concentrar em seus mamilos até que seus protestos não passem de alguns gemidos de prazer.
Acaricio-os, devoro-os e me alimento deles. Uno-os e sugo um mamilo depois outro, fazendo isso sucessivamente.
Endoidecido eu viro-a de frente a parede e de costas para mim. Escorrego minhas mãos pelas suas costas até as nádegas empinadas. Sem conseguir resistir dou um pequeno tapa e vejo uma das bochechas ficarem rosadas, isso me dá muito tesão.
— Joseph! — ela grita, surpreendida.
Incapaz de me segurar por mais tempo, abro uma gaveta do gabinete e pego um preservativo.
Livro-me da minha camiseta, calça jeans e cueca com pressa. Retiro o preservativo da embalagem e coloco-o com cuidado.
— Está pronta? — pergunto tocando-a para testar sua umidade. Esfrego meu membro em suas nádegas enquanto acaricio sua vagina molhada.
— Por favor! — ela se empina em direção a mim, me implorando — Joseph!
Descubro que pela primeira vez na vida, estou fora de controle. E jamais cogitei que essa experiência pudesse ser tão gratificante. Minhas mãos hábeis deslizam pelo corpo feminino fazendo a gemer. Por fim, afasto ligeiramente suas pernas e penetro dentro dela, com um único movimento. Oh Deus! A forma que sua vagina envolve meu pênis me faz querer perder os sentidos.
— Ah... — ela soluça.
Espero-a se acomodar a meu pênis e começo a me movimentar lentamente.
Hum. Perfeito! Bom pra cacete.
— Oh... Demi — começo a bater duro e rápido, meus dentes rangendo enquanto mergulho dentro dela — Isso, linda — acaricio o clitóris e ela acompanha meus movimentos — Assim, querida. 
Nós nos encaixamos perfeitamente, eu duro e forte, ela é macia e quente.
Cravo meus dentes em seu pescoço e ouço-a gemer algo incompreensivo. Suas súplicas e
espasmos de prazer me incendeiam. Sinto um prazer forte e intenso.
Seus músculos se contraem em torno de mim, meu pênis vibra em perfeita sintonia. Acelero os movimentos de vai e vem até explodirmos em um mar de cores e sensações.
Durante um tempo permanecemos em silêncio. Nossos corpos suados e molhados tentando recuperar-se. Viro-a de frente a mim pegando-a em meu colo.
— Ainda tenho fome de você — sussurro antes de colar meus lábios aos dela.
Nus como viemos ao mundo, subo as escadas, carrego-a até meu quarto, não, sem notar seu olhar encantado e admirado pelo que vê. Passo direto pela imensa cama, ela será usada mais tarde e sigo para o banheiro da suíte.
Coloco-a no chão e começo a encher a banheira redonda. Nós nos acariciamos e nos beijamos enquanto isso. Assim que banheira está completamente cheia e coberta de espuma, entro trazendo-a comigo. Nos estregamos novamente a paixão de modo tão devastador e com tanto ou mais abandono que antes.

***

Estamos ainda dentro da banheira. Minhas costas apoiadas contra os seios dela, enquanto suas longas pernas rodeiam minha cintura, como havia fantasiado antes. Suas mãos fazem espuma em meus ombros e eu acaricio suas coxas macias.
— Isso o que aconteceu... — ela começa, indecisa — Quer dizer eu...
— Estava destinado a acontecer desde que nos vimos — interrompo-a — Sempre soube que seria minha.
— Você é convencido não é? — Demi diz, contrariada — O Sr. ego em pessoa.
— Eu sou realista — revido com humor — E o fato de estar aqui, só prova como estava certo.
— E qual o próximo passo? — ela diz — Me ver rastejando de amor por você?
— Amor não tem nada a ver com isso! — sinto meu corpo enrijecer ao ouvir suas palavras — É apenas sexo. Não espere nada, além disso.
Claro que havia sido o sexo mais sensacional da minha vida. E com absoluta certeza eu quero me encontrar com ela novamente, pelo menos, até que essa atração poderosa diminua.
— Não se preocupe, eu não estou interessada nisso também, não espero uma casa com cerquinhas brancas ou um diamante em meu dedo — ela diz, amarga. Sinto seu corpo ficar tão tenso quanto o meu.
Permanecemos presos em nossos pensamentos por um longo tempo, cada um perdido em si mesmo.
— Então, quem é esse homem? — pergunto com curiosidade — O que ele fez para desistir do
sonho do casamento?
— Por que acha que foi um homem? — Demi dá de ombros.
— Foi uma mulher? — viro-me para ela, abismado.
Não que eu tenha algo contra, se ela for bixessual, não tenho preconceito. Conheço algumas até mesmo trabalham para mim, mas jamais imaginei que fosse o caso dela.
— Claro que não — Demi sorri — O que quis dizer é que posso ser uma mulher moderna.
— Moderna?
— Sim. Uma mulher moderna em busca de liberdade sexual e prazer. Há algo errado nisso? — ela pergunta, indignada.
— Nada, seria bom que todas as mulheres fossem sinceras assim, desde o início — murmuro.
— E quem é ela? — Demi repete minha pergunta.
— Ela?
— A mulher que o fez ter horror ao casamento.
— Minha ex-noiva — respondo, sem entender por que estou me abrindo com ela. Excluindo meus amigos, não voltei a tocar nesse assunto com mais ninguém — Encontrei-a gemendo na cama com outro quando voltei de viagem.
— Pelo menos ela não esvaziou sua casa e nem levou seu dinheiro — ela diz, num sussurro.
Assimilo suas palavras enquanto concluo que deve ter passado por uma traição semelhante. No fim, somos duas pessoas marcadas por mágoas e desilusões. O que nos torna perfeitos um para outro até seguirmos caminhos diferentes, mas por enquanto, desejo esquecer tudo e mergulhar em seu corpo novamente. Saio da banheira e, pego duas toalhas penduradas no cabideiro.
Envolvo-a em meus braços, as toalhas esquecidas. Finalmente a cama tem sua oportunidade.


***

Acordo com um sorriso languido. Escorrego minha mão pela cama em busca de seu corpo. Para mim sexo pela manhã é melhor forma de começar o meu dia.
Abro os olhos rapidamente ao sentir um pedaço de papel sobre a cama ainda quente.
Obrigada pela noite maravilhosa, fique com o troco.
Demi L.
Eu não sei se eu dou risada ou se faço como um tigre  e saio urrando pelo apartamento. Aquela pequena bruxinha havia deixado a nota de cem dólares em cima do travesseiro.
Se a intenção era fazer com que me sentisse usado, ela acertou em cheio.
Nenhuma outra mulher teve ousadia de me descartar tão descaradamente, nem mesmo Sophie. E essa linda e sedutora morena havia feito isso de uma maneira que me deixou bufando.
Levanto-me apressadamente e visto um roupão. Pego a nota e saio correndo descalço pelo apartamento, como um louco, esbarrando em todos os móveis que estão pelo caminho. Faço uma prece para que ainda haja tempo e que eu tenha sorte de encontrá-la.
— Fugindo? — pergunto aliviado ao vê-la parada em frente à porta do elevador.
— Apenas poupando-o do constrangimento do dia seguinte — Demi balança os ombros.
Olho-a de cima a baixo. Ainda sinto um desejo inexplicável. Para meu desespero é mais palpável que antes. Como se ela fosse uma droga a qual estou dependente.
— Cem dólares? — pergunto rangendo os dentes e mostrando a nota — É tudo o que valho?
— Eu pagaria duzentos. Mas você sabe como anda a crise. E agora estou sem emprego, não posso gastar tanto dinheiro assim, à toa.
À toa? Ah não! Aquela feiticeira não irá minimizar a melhor noite de nossas vidas em algo tão pequeno.
Sem dar tempo para que reaja, puxo-a para os meus braços. Viajo no fogo que me incendeia e brilha em seus olhos castanhos.
— Isso não vai ficar assim — digo antes de beijá-la.
Nós nos beijamos com desespero, suas mãos vão para meus cabelos enquanto as minhas deslizam por seu corpo. Sinto-me incendiar ao sentir que está sem calcinha, pois eu a rasguei na noite anterior.
O fato de imaginá-la andando apenas de vestido, deixa-me transtornado.
— Joseph! — as portas do elevador abrem e a voz de Sophie ecoa no corredor.
Mantendo Demi ainda sobre meus braços, encaro uma Sophie entre incrédula e indignada.
— Sophie? O que faz aqui?
— Quem é essa mulher? — ela encara Demi com ódio.
— Essa mulher... — Demi diz, sorrindo — É a noiva dele. Não é querido?
Encaro-a tão, ou mais surpreso que minha ex-noiva. Demi me lança um olhar meigo e beija-me nos lábios, carinhosamente.
— Nos vemos à noite meu bem — ela olha para Sophie com desdém — E livre-se dessa bruxa.
Ainda de queixo caído, vejo Demi entrar no elevador, lançar um beijo a mim, piscando o olho de forma marota.
A única coisa que meu cérebro me permite fazer é ficar encarando as portas que fecham em seguida, enquanto Sophie me chama insistentemente.
Dois segundos depois me dou conta de que ela foi embora.
Porra! E eu ainda estou ardendo de desejo aqui.

nem sei o que dizer sobre esse capítulo, finalmente eles se entregaram ao desejo.
 '' cem dólares? é tudo que valho?'' morri kkkkkkkkk
esse final? Demi provocando à Sophie, adorei.
agora que a história começa a ficar interessante, aguardem.
o que acharam? espero que tenham gostado.
até logo, bjs amores <3
respostas aqui

22 de mai de 2017

for you: capítulo 4


Salvador

Tenho certeza de uma coisa na vida. Os homens não são criaturas confiáveis.
Eles são como lobos, devoram garotas frágeis e inocentes e, por mais bonitos que sejam ou mais românticos que aparentam, só querem uma coisa. Foder você! Foder dentro e fora da cama. E depois de nos usar, eles se cansam, descartam, como uma mobília velha, trocando-nos por qualquer peituda que apareça.
Então meu lema é: Uso, abuso e caio fora! Bem será, já não saí com mais ninguém desde o calhorda do meu ex.
Nada de romantismo ou até que a morte nos separe. Sem casas com cerquinhas brancas, várias crianças gritando pelo jardim, cachorrinhos e todo esse conto de fadas que as pessoas tolas idealizam, que eu secretamente, um dia idealizei.
Então por que justamente agora, esse homem lindo e misterioso havia conseguido mexer comigo ao ponto de me fazer querer fugir de medo? Por que seus olhos sedutores e o sorriso torto, haviam feito com que sentisse um imenso calor subir pelo meu corpo?
Nada estava dando certo e para piorar o fim daquela noite, encontrei um homem estranho parado em frente ao apartamento de minha melhor amiga. O mesmo não queria permitir minha entrada e só após gritos, protestos e ameaças da minha parte me encontro dentro do apartamento dela ouvindo a história mais absurda do mundo.
— Eu não sabia que esse homem estava aí fora — Jenny interrompe meus pensamentos.
— Então ele a salvou de Chris, arrombou a porta e colocou um guarda costas aí na frente da sua porta? — digo, tentando assimilar tudo o que Jenny está me contando. E eu que pensei que minha noite havia sido louca.
— Basicamente isso — ela cruza os braços.
— Uau — murmuro — Acho que você realmente impressionou o homem. Parece história de
folhetim. A jovem em perigo e o príncipe em seu cavalo branco.
— Demi, o assunto é sério — Jenny morde os lábios.
— Tudo bem — murmuro — Só quis descontrair um pouco. Mas fique tranquila, vou passar a
noite aqui com você. Se esse homem aí não for embora ou o outro aparecer por aqui, nós ligamos
para polícia.
— Não acho que seja preciso tanto. Afinal, esquisito ou não ele me ajudou. Duas vezes. Creio que uma conversa será o suficiente.
— Veremos isso amanhã. Estou cansada — digo, bocejando — É melhor dormimos um pouco. A noite foi longa e turbulenta para nós duas.
Estou tão cansada que adormeço assim que desabo no sofá. Meu último pensamento é em uma imensidão verde.

***

Acordo nua como sempre, com minhas roupas espalhadas pelo chão e não faço a mínima ideia de como foram parar ali. Visto minha camiseta e calça jeans. Não é porque Jenny é cega que vou sair andando nua por sua casa. Ainda mais com aquele homem lá fora.
Olho pela janela e vejo que já amanheceu. Jenny já está acordada, seus cabelos estão úmidos e presos em um rabo de cavalo, concluo que acordou há algum tempo. Está sentada próxima a janela e parece perdida em seus pensamentos. Levanto-me e sinto um aroma delicioso de café vindo da cozinha.
— Bom dia, Jenny. Que cheiro ótimo.
— Bom dia, Demi — Jenny diz, sorrindo — O café está pronto.
Antes de me deliciar com o café que ela havia preparado, vou para o banheiro, lavo o rosto, pego uma escova que mantenho ali e escovo os dentes. Pode parecer estranho que eu tenha uma escova de dentes em seu banheiro, mas passo mais tempo ali com ela do que em minha própria casa.
Somos como Jenny me diz: amigas almas gêmeas. Ambas sozinhas, sem família e desiludidas no amor. Exceto por nosso único e melhor amigo gay Paul, que passa a maior parte do tempo viajando para participar de campeonatos de arte marciais, então só temos uma a outra. Que deprimente.
Volto para cozinha e devoro os ovos com bacon que ela havia feito. Ainda fico impressionada com todas as habilidades de Jenny. Além de cuidar da casa com perfeição era ótima na cozinha. Bem diferente de mim. Sou péssima cozinheira e nada organizada. Tudo bem, eu não vivo em um chiqueiro, mas tenho roupas e sapatos espalhados para todos os lados, sempre com uma promessa sincera de que vou organizar tudo.
— Estava divino — suspiro, revirando os olhos.
Antes que ela possa responder, ouvimos batidas na porta. Um homem grita seu nome, insistentemente. Pelo seu olhar consternado, imagino que seja o mesmo que a ajudou na noite anterior.
— Se quiser eu posso atender — tento tranquilizá-la.
— Não — ela se levanta — Eu faço isso.
Observo-a caminhar até a porta. Sigo-a e sento-me no braço do sofá, mantendo uma distância segura, para caso precise de minha ajuda.
— O que faz aqui? — ouço-a dizer, assim que abre a porta.
— Deixe-me entrar — a voz grave dele, soa autoritária, através da porta entreaberta.
— Não! — Jenny diz, tentando fechar a porta.
Estou pronta para enfrentá-lo e colocá-lo em seu devido lugar quando ele a afasta e entra em
seguida.
— Não foi um pedido, Jennifer — diz ele, contrariado. Pelo que percebo, não é um homem
acostumado a ouvir não.
— Mas o que está fazendo... — ouço Jenny gaguejar assim que ele passa por ela.
Ele caminha como se fosse o dono do mundo. Agora posso observá-lo perfeitamente. Jesus! O homem é realmente bonito. Olhos e cabelos negros, queixo quadrado e andar sedutor. No entanto, apesar de toda sua beleza máscula, ele não mexe comigo como o bad boy da noite anterior. 
Que cacete! Já não basta John ter me traumatizado para qualquer relacionamento, agora isso. Significa que o bad boy havia me balançado mais do que gostaria. Isso não é uma coisa boa. Não mesmo.
— Quem é você? — ele pergunta, ríspido.
— Demi Lovato — respondo, um pouco intimidada.
— Sr. Durant — Jenny caminha até mim.
— Neil. Chame-me de Neil, Jennifer— ele desvia os olhos de mim e volta a encarar Jenny.
— Não importa — Jenny volta a enfrentá-lo — Não pode invadir minha casa e interrogar meus amigos.
Meus olhos vão de um para o outro, enquanto encaro espantada a briga que desenrola na sala.
Estou realmente presenciando isso? A doce e controlada Jenny, ardendo em fúria?
Aliás, só agora me dou conta de que esse nome me parece familiar. Já ouvi em algum lugar, apenas preciso me lembrar de onde.
— Amiga? Que tipo de amiga deixaria a outra amiga cega, andar sozinha à noite, ser atacada e dormir na rua? — diz ele, enfurecido.
O quê? Pera ai...? Quem ele pensa que é para vir aqui e dizer se sou ou não uma boa amiga. Havia insistido fervorosamente para que Jenny não fosse se encontrar com Chris, e até mesmo insisti em ir com ela. Tudo bem que deveria ter insistido com mais ênfase ou tê-la seguido sem que me visse, mas isso não faz de mim uma péssima amiga. Faz?
— Eu não dormi na rua — Jenny sibila.
— Não graças a ela — aponta para mim, a raiva saindo por todos os seus poros.
— Neil... — começo a tentar esclarecer como as coisas realmente haviam acontecido.
— Sr. Durant para você Srta. Lovato — ele me encara duramente.
— Sr. Durant, eu estava trabalhando — tento explicar novamente. Caramba, eu já tinha recebido uma última advertência, se não aparecesse estaria na rua.
— Vai me dizer que ela é a sua tia? — ele diz, ironicamente.
— Eu agradeço o que fez pela Jenny, mas eu avisei para ela não ir se encontrar com Kevin...
— Fique quieta, Demi. Não é da conta dele — Jenny diz, rispidamente.
Calo-me diante de sua voz áspera. Alguma coisa realmente está acontecendo com ela. Jenny nunca havia me tratado assim antes.
— Já que salvei sua vida, mais de uma vez, creio que seja da minha conta sim, Jennifer — ele
parece indignado.
— Não, não é. Pegue seu leão de chácara e saia daqui — ela ruge.
— Inferno, mulher! — Neil diz, exasperado.
— Eu agradeço o que fez, mas termina por aqui — Jenny se coloca ao meu lado e segura minha mão como se precisasse de apoio, noto que sua mão está gelada e trêmula.
O celular dele toca e ele atende, com irritação.
— Agora não Penélope — diz ele, severo — Mande-o aguardar. Estou indo.
Quem será essa tal Penélope?
— Não terminamos ainda. Vou enviar algum segurança da empresa até aqui Jennifer — ele me encara com olhar ameaçador — Estou de olho em você, também.
Eu não sei se dou risada ou se choro. Ele parece um homem das cavernas em volta da fêmea, para que ninguém a tocasse. O sentimento de posse que ele está demonstrando para com ela é impressionante e assustador ao mesmo tempo.
— Mas Sr. Durant, o que está pensando? — Jenny diz, indignada.
— Não vou aceitar sua recusa, independentemente de você querer ou não, enviarei alguém aqui. Quero que fique segura até pelo menos nos encontrarmos novamente. Entendeu?
Seu olhar volta incisivamente para mim. Encolho-me no sofá, por algum motivo, esse é um homem a qual não desejo enfrentar no momento ou em qualquer outro.
— Mas... — Jenny começa.
— Sem mais, apenas aceite. Meu segurança estará aqui em breve — ele diz e sai em seguida.
Afundo-me no sofá e respiro fundo. Que merda é aquela que havia acontecido?
— Estúpido e idiota! — Jenny grita para porta fechada — Imbecil!
Tudo bem, eu não sei se estou mais confusa por tudo que aconteceu ou pela reação intempestiva dela. Jenny está totalmente nervosa e fora de controle.
— Nossa! Nossa! — encaro-a com curiosidade — A senhorita Jenny está abalada?
— Quem ele pensa que é? — ela senta no sofá ao meu lado — Estúpido! Arrogante! Imbecil!
— Boa pergunta. Quem ele é? — corro para o celular na mesinha — Vamos descobrir agora.
Pego celular e jogo o nome dele no Google. Milhares de fotos do Sr. Durant surgem. Em vários eventos e festas e com algumas mulheres, todas lindíssimas.
— Neil Durant presidente de umas das maiores companhias de tecnologia e segurança do país, dono de alguns hotéis de luxo e recentemente se enveredou pelo campo da aviação, tornando-se sócio da mais nova companhia de aviação e ascensão do país — leio as informações de um site de fofocas.
— Casado com  Lea Durant, herdeira de uma das famílias mais tradicionais da cidade, também é conhecida por suas festas e escândalos. Dizem que atualmente está em uma clínica de reabilitação. O casal tem uma filha deficiente de oito anos. Fontes nos garantem que o casamento anda de mal a pior e que ambos não se interessam mais em esconder os relacionamentos extras conjugais.
Há outras informações, mas resolvo parar por ali. Não sei o quanto daquilo tudo é real, já que mídias como essa, costumam inventar mais, do realmente apurar a verdade.
— Ele é casado? — Jenny pergunta, torcendo os dedos.
Oh, oh. É decepção que vejo em seus olhos?
— Ele mexeu com você não é? — pergunto, pesarosa.
— Não — ela vira de costas para mim — Apenas não imaginei que fosse casado, só isso. Agindo do modo que agiu.
Mentira! Se há uma coisa que consigo farejar é quando ela está mentindo. Ela é totalmente transparente. Bem, ela poderia tentar se enganar, mas a mim ela não conseguiria. Eu senti muito bem a eletricidade entre eles. E pelo jeito que o Sr. Durant agiu em torno dela, vejo que o sentimento é recíproco. Que infortúnio. Espero que ele não venha querer brincar de Romeu e Julieta com ela, isso eu não permitiria.
— Como ele é Demi? — Jenny vira em minha direção novamente. Seus olhos perdidos além de mim. 
— Alto, moreno, olhos negros, musculoso e muito bonito.
Sua reação não passou despercebida a mim. Sinto vontade de interrogá-la e saber o que realmente acontece em seu interior, no entanto, decido dar o espaço que ela precisa. No momento, precisamos resolver o que faríamos com senhor faça tudo o que eu mando.
— Você acha que ele irá cumprir o que disse? — pergunto, ansiosa — Mandar um segurança até aqui. A bruxa do trinta e seis vai adorar isso.
A bruxa que me refiro, é uma velha fofoqueira chamada Veronica, que mora sozinha no apartamento trinta e seis. Seu passatempo favorito e falar da vida de todas as pessoas que moravam aqui e brigar com o síndico a toda hora.
— Isso não me importa — ela finge, indiferença — Com certeza ele acha que serei mais um dos seus casinhos ridículos.
Interessante. Então a possibilidade passou pela cabeça dela?
— Pelo menos, tomara que ele envie um homem bonito — dou risada. Talvez outro homem bonito me faça esquecer o irresistível bad boy. Droga, por que eu tinha que pensar nele?
Olho para relógio e vejo que está na hora de buscar os cachorros para o passeio no parque. Faço isso duas vezes por semana e me rende uma grana extra. Antes de sair certifico-me de que Jenny está bem e vou para meu apartamento tomar banho e trocar de roupa.


***

Após uma hora caminhando, na verdade, quase correndo pelo parque com três cachorros, eu retorno ao meu apartamento a fim de finalmente fazer uma faxina. Ligo o MP3 do celular e começo a arrumar a casa ao som da playlist.
Três horas depois, com fome e cansada resolvo ir até o apartamento de Jenny. Para minha surpresa há mesmo um homem parado em frente à porta dela. Ele é mais jovem que o anterior, alto, careca e bonito. Não tão bonito como Neil e meu bad boy, mas faz bem aos olhos. E outra vez não mexeu em nada comigo.
Inferno! É o segundo homem bonito que vejo no dia que não me faz sentir as pernas bambas como meu lindo misterioso.
— Olá — cumprimento-o, ele balança a cabeça e se afasta para que eu entre.
Conto a Jenny que há outro homem parado em sua porta e, ela não parece surpresa ao saber que Neil havia cumprido a promessa e enviado o segurança.
Almoçamos juntas, o dia passa rapidamente e apesar de minha curiosidade, ela decide não falar sobre Sr. Durant ou tudo o que havia acontecido mais cedo.
Por volta das sete horas, preparo minha mochila com a roupa da apresentação de hoje e volto ao apartamento dela para que possamos ir juntas ao trabalho.
— Estou tão feliz por hoje ser sua última apresentação Jenny. Aquele lugar não é ambiente para
você.
— Apesar de tudo, tive bons momentos ali — ela sorri — Mas essa oportunidade no restaurante é muito importante. Em breve poderemos sair daqui.
Estamos guardando dinheiro a mais de seis meses. O prédio não é um lugar muito seguro e o zelador não contribui em nada para garantir a segurança dos moradores.
— Estou pensando em me candidatar a uma vaga da lanchonete perto da faculdade. É na parte da tarde e ainda poderei fazer o bico com os cachorros.
— Outro emprego Demi? — Jenny resmunga — Por isso vive caindo pelos cantos. Não sei como ainda não ficou doente.
— Quanto mais rápido conseguirmos o dinheiro, mais rápido sairemos.
Seguimos para o ponto de ônibus. Estou nervosa, será que o homem que vem atormentando meus pensamentos durante todo o dia apareceria no clube? E o pior, o que eu faria em relação a isso? De qualquer forma, talvez esteja dando importância demais ao assunto. Nunca vi o pedaço de mal caminho de ontem por ali antes e, não há motivos para que ele volte.
Bem, fugir novamente está fora de cogitação. Não posso desaparecer como fiz na noite anterior, pois Jenny está comigo. Se deixá-la sozinha, o brutamontes do Neil me mata. E eu nem havia contado a Jenny que o segurança estava nos seguindo, mesmo que de longe e discretamente.
Uma hora depois chegamos ao clube, vamos direto para o camarim.
— Ah Jenny, vou sentir muito sua falta — Mayume diz, abraçando-a — Que pena que está indo embora.
Mayume é uma das poucas amigas que temos no Seduction e tenho certeza que suas palavras são sinceras.
— E você Demi? Fugindo daquele deus grego. Ai se ele olhasse para mim como olhou para você — Mayume suspira.
— Homem? — Jenny se desvencilha do abraço de Mayume e vira em minha direção — Que
homem?
Lanço um olhar furioso em direção a Mayume. Ela e aquela boca grande.
— Ninguém importante — digo, remexendo na caixa de maquiagens.
— Como ninguém importante? — Mayume continua, sem perceber meu olhar mordaz — O homem me deu cem dólares só para chamá-la. Eu guardei para pagar você, Demi. Consegui levantar um dinheiro extra.
— Obrigada — digo pegando a nota — Tem certeza que não vai precisar?
— Sempre precisamos não é? E eu devo você há muito tempo — ela diz, constrangida — Além do mais, não sei quando terei uma gorjeta tão alta assim novamente.
Guardo o dinheiro entre os seios, deixar na minha mochila seria muita burrice. Furtos ali eram algo constante.
— Por que não me contou sobre esse homem, Demi? — Jenny insiste.
— Como já disse, não é ninguém importante — encerro a conversa.
Visto meu traje para aquela noite, um vestido preto de franjinhas, sandália de tiras e salto agulha.
Faço uma maquiagem marcada, ressaltando os meus olhos.
— Está pronta? — Jenny está espetacular em seu vestido de couro vermelho e o cabelo preso em um rabo de cavalo.
— Sim.
Saímos em direção ao palco. Ed o proprietário anuncia aos presentes que este será o show de despedida dela. Os homens vão à loucura.
Ajudo a subir as escadas, sei que dali em diante ela pode se conduzir facilmente.
— Sai daí, agora! — ouço um grito enlouquecido às nossas costas.
— Sr. Durant — encaro o homem furioso atrás de mim. O que esse maluco está fazendo aqui? E como ele sabia onde estávamos? Ah, claro o segurança que havia passado o dia todo plantado no corredor em frente ao apartamento dela e que nos seguiu até aqui.
— Como pôde arrastá-la para isso? — ele me pergunta com olhar mortal.
Antes eu que possa responder, ele caminha até a beirada do palco e agarra os tornozelos de Jenny.
Ela continua a caminhar ignorando-o. Estou entre confusa e completamente atônita.
— Solte-me — diz Jenny, tentando se soltar sem sucesso. Vejo-a desiquilibrar e cair de bunda no chão.
— Ai! — ela geme. Creio que mais de humilhação do que pela dor em si.
— Chega disso! — Neil diz, colocando-a em seu ombro.
A cena a seguir me deixa petrificada. Ele coloca Jenny no chão e desfere um soco em um homem que tentou interpelar seu caminho. Depois disso é um mar de braços, pernas e socos para todos os lados.
E em um caso como esse, sempre há aqueles que querem tirar proveito, eu sinto uma mão asquerosa tocar meus seios.
— Tire as mãos de mim! — grito, tentando empurrá-lo.
Um homem calvo, com uma barriga saliente, devora-me com olhar. O cheiro forte de álcool vindo dele, deixa-me enjoada. Pior que um tarado, é um tarado nojento e bêbado. E esse ser era as duas coisas.
— Não seja tímida gatinha. Sei que vai adorar o que vou fazer com você.
— Solte a jovem!
Uma voz baixa, mas não menos ameaçadora, soa atrás de mim.
— Cai fora idiota — o homem balbucia, puxando-me contra ele — Vá procurar outra garota.
— Eu disse para você soltar!
Viro em direção à voz rouca e me deparo com aqueles olhos impressionantes. E em poucos
segundos vejo o homem voar até uma das mesas.
Ao presenciar isso, dois homens se aproximam de nós. Um é quase da minha altura, mas bastante musculoso, o outro é alto e magro. Acredito que sejam amigos do homem asqueroso que havia me importunado. Vejo meu bad boy desferir um soco no homem alto, que se desequilibra por alguns instantes. O mais baixo se aproxima dele e lhe dá um soco no olho. Ele revida acertando-lhe o queixo. Enquanto isso eu vejo o homem menor se levantar com uma garrava vazia na mão.
— Cuidado! — grito para meu bad boy, desavisado.
Ele vira-se em direção ao homem com a garrafa na mão e desvia de seu ataque. Incapaz de ser apenas uma telespectadora, eu subo em cima do homem alto, puxando-lhe os cabelos, com toda força.
Ele roda por alguns segundos tentando tira-me de suas costas. Agarro a sua cintura com minhas pernas e mordo sua orelha. O homem urra feroz e puxa meus cabelos soltos. Solto um gemido de dor e sinto meus olhos encherem de lágrimas, devido à ardência em meu couro cabeludo.
Nesse momento, percebo que meu bad boy havia finalizado com o cara baixinho, que geme caído no chão, provavelmente com um nariz quebrado. Ele vem até o homem que me segura, desferindo vários socos no abdome para que ele solte meus cabelos. Seu alvo agora é a garganta do meu salvador.
Descruzo minhas pernas em volta da cintura do agressor e desfiro alguns socos em suas costas, enquanto ele continua a brigar com meu bad boy. Após socos de um lado e murros do outro, vejo o homem cair ao chão.
Olho para meu anjo salvador, preocupada com seu estado. Em seu olho esquerdo há um pequeno corte, onde desce um filete de sangue. Seus lábios estão machucados e levemente inchados.
No entanto, o que me desestruturou foi o sorriso travesso em seu rosto. Sim, aquele infeliz estava gostando de toda aquela agitação. Como se tivesse sonhado por uma boa briga.
Antes que eu possa falar sobre a imprudência da situação ele se aproxima de mim. Segura minha mão e me puxa para saída.
— É melhor sairmos daqui — ele diz, com euforia — Embora adore uma boa briga, prefiro gastar minhas energias com outras coisas.
— Pera aí — tento me desvencilhar dele — Eu estou trabalhando.
Se bem que agora não tenho tanta certeza. A casa inteira está de pernas pro ar. Cadeiras e mesas quebradas por todos os lados. Copos e garrafas voando em todas as direções, garotas chorando pelos cantos, enquanto homens desferem socos uns nos outros, sem motivo algum.
O salão está em um caos total. Estou impressionada, embora já tenha havido outras brigas ali, afinal estou falando de um clube com mulheres, homens e bebidas, entre outras coisas. Então, é completamente previsível que essa combinação resulte em brigas e discussões algumas vezes, mas a confusão de hoje, ultrapassou todas as expectativas. Em mais de um ano ali e eu não havia visto nada parecido.
— Querida, ou aqueles caras fazem parte de um time de futebol, coisa que eu não creio — ele
indica alguns baderneiros do outro lado — Ou fazem parte de uma boa gangue. O que sei, é que não tenho vontade alguma de enfrentar os outros grandões ali. Prefiro ser um covarde vivo a um herói morto.
Olho para o local que ele me disse e vejo quatro homens vindos em nossa direção.
— Puta merda! — murmuro, tentando acompanhar seus passos.
Magistralmente, vejo-o nos desviar das pessoas em volta e caminhar para saída. Vislumbro Mayume encostada contra a porta que dá acesso aos camarins, pendurada em uns dos seguranças.
— Demi! — ouço a voz de Ed a minhas costas e gelo — Eu avisei. Está despedida!
Por todos os deuses do Olimpo, eu não tive culpa de nada. O único culpado era o Sr. Durant, aquele troglodita. E falar no dito cujo, para onde ele havia levado Jenny? Faço uma oração interna para que ela esteja bem e a amaldiçoou por não ter um bendito celular.
Não tenho a chance de responder a Ed, tentaria falar com ele depois. Aqueles homens estão cada vez mais próximos de nós dois. Pelos seus olhares ameaçadores, se nos alçarem, teremos sorte se nosso destino for apenas uma cama de hospital.
Antes que eu conte até dez, sou agarrada pela cintura e em seguida colocada na garupa de uma moto. Não uma moto qualquer, mas a moto. Coloco meus braços em volta da cintura dele e a última coisa no meu perímetro de visão são os homens urrando em nossa direção, enquanto meu herói ganha a estrada em alta velocidade.
Sinto o vento em meus cabelos soltos e em minha pele quente. Após alguns minutos ele desacelera e estaciona. Meu coração dispara no peito. Nunca subi na garupa de um estranho e muito menos com um, que mexe comigo de uma forma completamente absurda como ele faz e ainda nem mesmo sei seu nome. Não sei se é a adrenalina ou a noção de perigo, mas toda situação é extremamente excitante.
— Por mais que esteja linda com esses cabelos ao vento. Eu não quero mais uma multa de
trânsito.
Ele pega um capacete pendurado na lateral da moto, com sorriso torto que eu já aprendi a admirar e coloca-o em minha cabeça.
— Sexy — ele sussurra, dando um passo para trás para poder me observar melhor — Incrivelmente sexy.
Encaro-o através do visor. O homem é nada menos que perfeito em sua calça jeans, camiseta branca e jaqueta de couro negra. Merda, aquela sensação entre minhas pernas, pulsa como uma britadeira. Remexo sobre a moto tentando aliviar a sensação que só se intensificou.
Ele coloca seu próprio capacete e ganhamos a estrada novamente. Andamos por cerca de
meia hora até chegarmos a um prédio alto, com fachada elegante na região de Manhattan.
Entramos em uma garagem privativa, em seguida vejo-me em um hall de mármore bege.
O concierge de plantão sorri para meu bad boy e me olha maliciosamente. Embora eu tenha vontade de mandá-lo enfiar aquele sorriso debochado em um lugar bem inoportuno, tenho ciência que minha roupa de show me faz parecer uma garota de programa.
— O que estamos fazendo aqui? — pergunto, asperamente.
Aliás, eu preciso de um nome, não posso passar a vida inteira chamando-o de meu bad boy. E além de tudo, ele não é meu. Controle-se Demi Lovato, digo a mim mesma.
— Você precisa de alguns cuidados — ele sorri, sedutoramente.
— Ah, claro e você vai cuidar direitinho de mim não é? — falo com ironia e certa decepção. Ele só é apenas mais um babaca querendo tirar vantagem da situação — Obrigada, mas prefiro ir para casa.
Antes que eu possa me encaminhar para saída, ele me puxa de encontro a ele outra vez.
— Não farei nada que não queira, sossegue — sussurra, com sua boca próxima a minha, nossos rostos praticamente colados, seu hálito adocicado me inebriando. Canela e café — Seu braço está machucado, pensei apenas em fazer um curativo.
Olho para meu braço esquerdo e vejo um arranhão que eu não havia percebido antes de começar a latejar levemente.
— Mas se quiser, posso deixá-la em um hospital mais próximo.
Bem se o concierge já havia me encarado de forma equivocada o que diria uma recepcionista de hospital? Com certeza concluiria que fui agredida por um cliente violento.
— Posso fazer isso em casa — murmuro, indecisa.
Eu não sou inocente. Isso não terminaria com o curativo. Não sei por que, eu acredito que ele não faria algo que eu não queira. Mas e quanto a mim?
— Srta...?
— Lovato. Demi Lovato — respondo.
— Se eu quisesse fazer algum mal a você não a traria para minha casa e além de tudo com testemunhas — sua cabeça movimenta em direção ao homem parado na recepção.
— Como se chama? Ainda não sei seu nome.
— Joseph Jonas.
As portas do elevador se abrem e um casal elegante sai por ele. O homem ruivo com cerca de uns trinta anos e a mulher morena, alta e magra.
Percebo que o homem me olha com olhar de predador, seus olhos saltam para meu decote, fixando em meus seios. Joseph coloca o braço em volta da minha cintura em um sentimento de posse. Encara o homem com olhar olhe, mas não toque. Hum, possessivo.
A mulher me encarar com olhar de ódio e desprezo. Como se eu tivesse culpa de seu
acompanhante ser pervertido. Agindo por impulso enrosco-me no braço de Joseph, só para dar uma boa lição naquela rica esnobe, e deixo que ele me conduzir para dentro do elevador. Antes que as portas se fecham a jovem bufa de raiva e indignação.
Sinto meu rosto esquentar e sei que estou ficando vermelha, tanto de raiva como de vergonha por minha reação intempestiva. Olho para Joseph e noto seu olhar divertido e questionador em minha direção. Eu não sei se é o seu sorriso charmoso, olhos sedutores, o rosto de tirar o fôlego que me deixam claustrofóbica, mas de repente as paredes do elevador parecem me sufocar. Sinto minhas pernas trêmulas e um calor incandescente irradia por todo meu corpo.
— Apenas um curativo — digo a ele.
— Certo — ele responde, como se não acreditasse em uma única palavra minha. Não posso culpá-lo, nem eu acredito.
Chegamos ao sexagésimo oitavo andar, andamos por um corredor largo, passamos por duas portas e paramos na terceira. Observo enquanto ele digita um código de segurança e abre a porta.
Fico de queixo caído literalmente ao atravessar a porta. Apenas a sala de estar é quatro vezes maior que meu apartamento inteiro.
— Entre — ele me empurra para dentro. Confesso que se ele não houvesse feito isso, eu teria
ficado a noite toda parada na porta, completamente abismada.
— Fique à vontade — ele sussurra, tirando a jaqueta, jogando-a no braço do sofá.
Ele segue até um bar perto de uma imensa porta dupla de vidro. Admiro seus ombros largos e sinto minhas mãos formigarem. Noto-o servir algo em dois copos de vidro e caminhar de volta para onde estou.
— Acho que precisamos disso — ele sorri, me entregando um dos copos.
Puta que pariu, o homem inventou e patenteou aquele sorriso sexy. Viro o conteúdo cor de mel em um só gole. Engasgo-me e tusso por alguns segundos. Uísque, eu odeio uísque, mas realmente preciso de algo forte para aliviar a tensão.
— Vá com calma — ele ri. O som rouco e sensual me faz sentir as pernas bambas.
— Vamos cuidar disso aqui — ele continua, alisando meu braço.
Não sei se é a bebida ou se estou inebriada por ele, mas sigo-o sem pestanejar.
Entramos em um banheiro totalmente branco, duas vezes maior que o meu. Observo-a abrir a porta de um gabinete e tirar uma caixa de primeiros socorros. Sinto o algodão umedecido deslizar pelo machucado em meu braço. Assisto tudo entorpecida. Minha pele se arrepia quando ele finaliza com um Band-Aid e acaricia meu braço.
Seus olhos fixos nos meus. Minha respiração está acelerada e meu coração salta no peito. Sinto sua boca se aproximando da minha lentamente. Sei que ele vai me beijar. Eu desejo que faça isso, desejo desde a primeira vez que o vi.
— Acho que devo retribuir o favor — como uma covarde eu fico de costas para ele e começo a mexer na caixa de primeiros socorros.
Todo meu corpo está tenso devido ao desejo reprimido. Umedeço um pedaço de algodão em um anticéptico e me volto a ele. Seu olhar ainda é ardente e cheio de desejo. Com as mãos trêmulas, deslizo o algodão em seu supercílio machucado. Faço o mesmo procedimento nos lábios e ouço-o gemer.
— Dói? — minha voz soa enrouquecida.
E o que acontece a seguir foge completamente do meu controle. Joseph escorrega as mãos até minha cintura e me prende contra ele e a parede.
Sinto seu membro enrijecido entre minhas pernas.
— Muito — ele diz.
Está se referindo mais ao desejo e estado de excitação, do que do seu lábio machucado. Ele esfrega o membro rijo contra minha parte íntima. Céus a sensação é muito boa. Um gemido escapa dos meus lábios. Ele me imprensa ainda mais contra parede, puxa meus cabelos fazendo com que eu olhe nos seus olhos.
— Eu quero você, Demi! Porra como eu quero! — com essas palavras cruas, ele toma meus lábios.

podemos conhecer um pouco desse Durant e que babaca.
to tombada com esse capítulo e esse final? e o beijo? não resistiram um ao outro hahaha
o que será que vai acontecer? agora só no próximo capítulo hahaha
o que acharam? espero que tenham gostado.
até logo, bjs amores <3
respostas aqui

19 de mai de 2017

for you: capítulo 3


Feiticeira

Essas duas últimas semanas, longe de tudo e todos, foram tudo o que precisei. Ficar em casa sentindo pena de mim mesmo, seria um desperdício de tempo. Afastar-me de casa, da família e dos amigos foi essencial neste momento. Embora tenha conduzido tudo a minha volta de forma automática e fria, eu não aguentava mais os olhares piedosos, os conselhos irritantes de minha mãe e principalmente a insistência de Sophie para que conversássemos. Mesmo eu tendo trocado o número do celular, ela sempre encontrava uma maneira de se comunicar comigo.
Suas queixas, súplicas e choramingos estão me levando às vias de um assassinato e, as desculpas esfarrapadas de que, minha falta de atenção ou suas inseguranças a levaram me trair, me deixam enojado.
O único vislumbre de paz e tranquilidade, foi passar esses dias na cabana de Neil. A área ao redor é muito bonita. Há um grande lago em frente à casa, que oferece paz e tranquilidade. Além das montanhas ao redor, com uma vista belíssima para os dias de corrida. Embora não costume correr, pois prefiro as facilidades de uma boa academia, apreciei a sensação de me exercitar ao ar livre e puro. Isso me lembra de que tenho um parque gigantesco perto de casa e não tenho aproveitado desse privilégio.
Agora, após duas semanas, estou pronto para enfrentar o que vier e me aventurar nessa nova jornada que idealizei para mim. E irei começar por algo que sempre desejei e nunca me atrevi a fazer.
Verifico a casa pela última vez. Pego a mochila do chão e subo em meu mais novo bebê, uma Harley, novinha. Quero viver cada dia com a emoção de que fosse o último e adoro a sensação de liberdade que essa moto me traz.
Desde a adolescência admirava belezinhas como essa. Até mesmo cheguei a pegar emprestada a moto de um de meus amigos, mas minha mãe ficara furiosa na época e proibiu firmemente que comprasse algo parecido. E entre enfrentá-la e ter um pouco de paz, optei pelo caminho mais cômodo. Agora, noto como sempre fui o bom moço irritante, sempre fazendo e me comportando como ela queria. Sempre acatando o que os meus pais exigiam. Até mesmo Charles, acha que sabe o que é melhor para mim.
Observando tudo com frieza, sinto-me envergonhado de como fui apático, sendo controlado por quase toda minha vida. Tenho sorte de amar a minha profissão ao qual praticamente me obrigaram a exercer para assumir a empresa ao lado do meu irmão, ou seria frustrado pessoal e profissionalmente.
Mas agora estou liberto de todas as prisões e convicções que me mantinham. Meu lema agora é viver sem limites e, comecei por essa moto.
Estaciono na vaga reservada a mim e vou na direção dos elevadores. Cumprimento o concierge assim que entro no hall. Desço na cobertura, digito o código de segurança na porta e entro. Tenho uma cobertura ampla e elegante, decorada em tons de bege, branco e marrom. No andar de baixo está a sala com um conjunto de sofás branco e almofadas marrons, uma mesa de centro negra, e uma tv de 52 polegadas. Do outro lado, há uma sala de jantar com uma mesa oval. As paredes da sala de jantar são de vidro e dão acesso a uma sala de estar com poltronas de madeira e almofadas, uma pequena mesa quadrada e há uma vista privilegiada da cidade, além de uma piscina retangular.
No andar superior ficam as suítes, dois quartos de hóspedes e meu escritório. Vou para o quarto, dispenso a banheira redonda, retiro o plástico que cobre a tatuagem e tomo uma chuveirada. Passo a pomada nas costas e vejo que o local que antes estivera muito irritado e vermelho começa a clarear.
A ardência também diminuiu ou talvez eu esteja me acostumando ela. De qualquer forma, resolvo cancelar meu encontro para essa noite.
Maggie, uma modelo que me foi apresentada pela noiva de Liam, não ficou muito feliz com a notícia, mas aceitou remarcar para o dia seguinte.
Sem disposição para cozinhar ou pedir comida pelo telefone vou até a cozinha e coloco um congelado no microondas. Agradeço aos céus por Janine, a governanta, ter se lembrado de meu retorno e ter abastecido a dispensa.
Pego duas garrafas de Badger Gold, faço um prato e vou para sala. Ignoro a sala de jantar e me jogo no sofá. Ligo a TV, sintonizo no canal de esportes. Está passando um jogo de basquete, os Knicks estão enfrentando New Jersey Nets e estão ganhando de 34 a 28.
Espreguiço-me no sofá e concentro-me no jogo. Já que não terei uma linda mulher para aquecer a noite, cerveja e jogo na tela plana terão que ser o suficiente.
Por volta de oito horas da noite do dia seguinte, paro minha Harley em frente a uma casa elegante.
Uma jovem ruiva surge e me olha com espanto.
— Onde está o seu carro? — ela faz biquinho — Nós não vamos nessa coisa, não é?
Olho para minha moto e para ruiva em seu vestido de seda azul. Realmente a combinação parece esquisita. Mas qual o problema? Onde está o senso de aventura dela?
— Sim — respondo com um sorriso irônico — Iremos.
— Com certeza, não — Maggie bate o pé — Nós iremos com o meu carro!
— E onde acha que deixarei minha moto? — pergunto, num tom irritado.
— Ah, qualquer lugar — ela cruza os braços — Deixa aí mesmo, na rua. Eu que não vou estragar um Prada por causa de uma moto ridícula.
Ridícula? Minha Harley, que custou cem vezes mais do que esse pedaço de pano que ela está usando. E essa esnobe e arrogante mulher chamou meu bebê de ridícula? Não! Maggie não tem nenhum espírito de aventura. Portanto, não vou estragar minha noite com essa jovem fútil e suas conversas chatas, nem mesmo por sexo.
— Quer saber Maggie? — subo na moto, enquanto ela me encara com olhar atônito — Eu vou me divertir. Você pode ir para onde quiser.
Na verdade, gostaria de dizer que ela poderia ir para puta que pariu! Mas mesmo sentindo-me um bad boy, ainda sou educado.
— Joseph! — ela berra, batendo o pé — Volte aqui!
Escuto sua voz ao fundo, acelero o motor, o único som que eu quero ouvir é esse, gemendo rua afora. Meia hora depois ainda estou muito irritado e sem saber para onde ir quando o telefone vibra no bolso da minha jaqueta.
— Oi Peter — estaciono e atendo.
— Onde você está? — murmura ele — Levei um fora hoje. Que tal sairmos à caça?
Sair à caça para Peter é ir às casas noturnas a procura de mulheres lindas. Alguns meses atrás acharia aquilo imaturo, mas hoje e nesta nova fase da minha vida, a ideia me parece muito interessante.
— Estou em algum lugar entre Manhattan e o Bronx. Deixe-me ver — olho em volta, mais à frente há uma casa noturna. O letreiro luminoso pisca indicando o nome do clube — Estou perto de um clube chamado, Seduction.
— Já ouvi falar dele — ele responde — Espere-me aí. Estou por perto. Se nós não gostarmos,
vamos a outro lugar.
— Certo — murmuro — Espero você lá dentro.
Desligo e conduzo a moto para o estacionamento privado. Há um relativo entra e sai lá de dentro. Apesar de a fachada ser um pouco cafona, por dentro é aceitável. Todo ambiente é decorado em vermelho sangue e dourado. Há um enorme bar com balcão, algumas mesas em frente ao palco e os toalhetes à direita. Vou para o bar e peço um energético, na verdade, gostaria de um uísque duplo, mas estou dirigindo, essa é uma das desvantagens em dispensar o motorista.
Bebo o energético e assisto ao show. Uma garota oriental faz um show sensual enquanto alguns homens afoitos gritam em direção a ela. Após sua apresentação as luzes se apagam. Sinto uma mão deslizar pelo meu braço de forma sedutora. Uma loira platinada está sorrindo para mim.
— Está sozinho querido? — ela ronrona, oferecendo os seios, que saltam de seu enorme decote.
— Por que não me paga uma bebida?
Faço um sinal positivo para o barman e devolvo sorriso a ela. Apesar de muito bonita, não faz meu tipo. Loira demais para mim agora. As loiras me fazem lembrar Sophie, isso me dá urticária.
Nesse momento, as luzes no palco apagam novamente, uma nova apresentação irá começar. Olho mais por curiosidade do que para apreciar o show, afinal, todas as mulheres ali devem fazer a mesma coisa. Afasto-me um pouco da jovem loira e vou em direção as mesas perto do palco. Sento-me em uma cadeira qualquer e observo uma jovem subir as escadas em direção ao palco. A iluminação fraca só me permite observar sua silhueta. Quando ela se fixa ao lado do mastro de pole dance as luzes se acendem em cima dela.
Puta que pariu!
Á minha frente, a verdadeira personificação de Afrodite. E quando eu falo linda, é linda mesmo. E estou acostumado a cruzar com mulheres deslumbrantes, mas essa vai além. Ela é quente!
Seus cabelos negros estão presos em um rabo de cavalo, que balança levemente, conforme ela se movimenta.  As pernas a mostra são esguias e perfeitas. Imediatamente a imagino em minha banheira cheia de espumas, com essas pernas divinas, rodeando minha cintura.
Sua boca é carnuda e em forma de coração. Uma boca perfeita para beijar e ser beijada. Penso como seria ter essa boca que parece ser macia como seda, chupando meu pênis. Porra! Com esse pensamento, remexo-me na cadeira em busca de uma posição mais confortável. A música começa, o som da guitarra de Jimi ecoa no salão. A linda morena começa sua apresentação no pole dance.
Caralho! Se antes apenas vendo-a com sua roupa de couro sensual eu já tinha ficado excitado.
Agora, observando-a dançar, subir e descer em volta do mastro, sempre com os olhos cravados em mim, como se me fizesse uma apresentação exclusiva, está me levando à loucura. O desejo corre pelo meu sangue. Puro e quente. Ergo meu copo e faço um brinde em sua direção. Lanço meu melhor olhar de: Eu vou foder você e vai implorar para que nunca termine.
Vejo-a subir no mastro e enrolar as penas no topo. Em seguida fica de cabeça para baixo, segura os seios entre as mãos e gira a cabeça de forma sensual. Mordo meus lábios para conter um gemido de desejo. Nesse momento, nossos olhos se cruzam. A jovem gira em torno do mastro e fica de costa para ele, deslizando de forma erótica. A apresentação continua e eu me seguro não me masturbar ali mesmo. Porra, o que está acontecendo?
— Deseja outro drinque, querido? — pergunta uma voz feminina, atrás de mim.
Sem olhar para mulher peço que busque um drink tropical e entregue a jovem morena, assim que ela descer do palco. A dança e música continuam de forma frenética e alucinante.
Estou completamente enfeitiçado por essa garota. Feiticeira. O show termina, as luzes se apagam e ela some na escuridão. Tenho a sensação de abandono. A loira volta a falar alguma coisa em meu ouvido, mas ignoro. Olho em direção as escadas e vejo uma mulher oriental entregar a bebida a minha musa. Nossos olhos se cruzam novamente. Vejo-a virar o copo e para minha surpresa, sair correndo. Levanto-me rapidamente, vou em direção onde ela estava. Chego a tempo de vê-la entrar em uma porta com o aviso de: Restrito não entre.
Pouco me lixando para isso vou em direção à porta. Uma mão macia me para.
— Não pode entrar aí, querido — a jovem oriental me previne.
— Preciso falar com a garota — digo, angustiado.
— Demi? — vejo-a enrugar a testa — Foi para o camarim. Você não pode entrar. 
Demi? Então esse é o seu nome. Tenho vontade de mandar a mulher a minha frente ir para o inferno, entrar com ou sem permissão e encontrar a linda morena. Demi. O nome desliza sobre meus lábios, como mel. Sinto-me frustrado e irritado pela segunda vez nessa noite.
— Pode dizer a ela que estou aqui fora, a esperando?
— Eu posso dizer... — ela começa a dizer, analisando-me de cima a baixo — Mas Demi
não sai com clientes.
— Faça o que pedi — coloco uma nota de cem dólares entre os seios dela e sorrio.
A jovem sorri de volta e corre porta adentro. Dez minutos depois e com a paciência esgotada vejo a oriental sair com uma ruga de preocupação na testa. Segura a nota que eu dei como a própria vida.
— Demi já saiu — a jovem informa, apertando a nota contra o peito.
— Não vi ninguém passar por aqui? — resmungo, irritado.
— Deve ter usado a porta lateral — ela murmura — Procurei o camarim inteiro e ela não está lá.
— Tudo bem. Sabe para onde foi? — digo com frustração. Talvez ainda consiga encontrá-la.
Aquela jovem não pode dançar à La Salomé exclusivamente para mim e esperar que eu fique imune a isso. Não. Aquela maldita provocadora tem que saber o que acontece quando se com alguém como eu.
— Acho que foi para casa — a jovem responde, receosa — Há um ponto de ônibus perto daqui.
— Obrigado — respondo e viro em direção à saída — Pode ficar com o dinheiro.
— Espere! — ela grita atrás de mim — Não vai fazer mal a ela, não né?
Pergunta estúpida! Ela deveria ter verificado isso antes de me passar qualquer informação.
Acredito que tenho algo mais para ensinar a jovem do que apenas a brincar com fogo. Como pode ser tão descuidada ao ponto de colocar sua vida em risco? Estamos em uma das áreas mais perigosas da cidade, droga. Será que não havia se dado conta disso?
Encontro-me com a loira parada na porta. Vejo que está alterada demais para meu gosto. Quantos copos ela já havia bebido? Isso não me importa, a única coisa que quero é encontrar minha feiticeira novamente. Por que a maldita deve ter lançado algum feitiço sobre mim.
— Onde você estava, querido? — a loira segura meu braço — Procurei-o por toda parte.
Ignoro a pergunta e vou em direção à rua. Vejo logo à frente um ponto de ônibus e nele está minha musa. Ainda mais linda se possível, em sua calça jeans e camiseta. Os cabelos negros caem em uma cascata sedutora, pelas costas. Livro-me da loira e caminho em direção a ela. Nossos olhos se cruzam novamente. Um ônibus passa privando-me de observá-la por alguns instantes. Meu coração dispara, corro até o ponto e vejo-a entrar no ônibus. Antes eu possa fazer alguma coisa, ele se põe em movimento. Vejo a jovem se sentar encarando-me com um sorriso travesso. Seus olhos são mais lindos de perto. E que olhos. Em seguida ela lança-me um beijo no ar, provocando-me.
Cinco minutos depois, ainda encontro-me estático, no mesmo lugar, enquanto eu encaro a rua a minha frente, ainda sem acreditar no que aconteceu. A maldita feiticeira, havia me deixado sozinho, na rua, com cara de idiota.
Meu celular vibra, tirando-me do transe que me encontro.
— Joseph? — a voz de Peter ecoa do outro lado da linha — Desculpe cara. Tive que fazer um favor para o Neil.
— Tudo bem Peter — murmuro, contrariado — Estou indo para casa de qualquer forma.
Minha noite já estava arruinada mesmo e a culpa era de uma morena arrebatadora e provocadora.
— Cara, me desculpe, mesmo. Podemos sair amanhã se quiser.
— Claro — caminho em direção ao estacionamento, com uma ideia em mente — No mesmo lugar?
— Nossa — Peter começa falar com um tom divertido na voz — Então você gostou mesmo do
lugar? Agora estou curioso para saber por que.
— Gostei mais do que você possa imaginar, Peter — sussurro, com um sorriso maroto no rosto — Mais do que possa imaginar.

esse capítulo foi mais o lado do Joseph na noite que viu a Demi pela a primeira vez.
o próximo capítulo promete, aguardem hahaha
o que acharam? espero que tenham gostado.
até logo, bjs amores <3
respostas aqui